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Polilaminina: A pesquisa é séria, entendo a esperança, mas é preciso cautela, afirma professora da UFMG Aline Miranda

Pesquisadora do ICB acredita que estudo da UFRJ vai seguir todos os processo previstos, garantindo o rigor científico

Nesta quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, a pesquisadora e professora do Departamento de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG (ICB) Aline Miranda conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.

A polilaminina virou tema de diferentes trends nas redes sociais nos últimos dias: destaque para paciente em recuperação, debate sobre perda de patente e posts de orgulho pela ciência nacional. A molécula foi desenvolvida há quase 30 anos na Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob liderança da professora Tatiana Sampaio, chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, e vem sendo estudada por todo esse tempo. A polilaminina, que promete transformar o tratamento de lesões medulares, é baseada na laminina, proteína produzida naturalmente pelo corpo humano, extraída da placenta e capaz de modular células e reorganizar tecidos do sistema nervoso.

O medicamento experimental é aplicado diretamente na coluna. Durante os testes, pacientes que haviam perdido movimentos devido a lesões na medula espinhal recuperaram, parcial ou totalmente, a mobilidade. Com o sucesso e visibilidade gerados pelas mídias sociais e pela imprensa, a pesquisadora foi alçada praticamente a um status de celebridade. Tatiana Sampaio e sua pesquisa tem aparecido em diversos veículos jornalísticos e perfis na internet, se encontrado com político e recebendo homenagens pelo país. Uma dessas participações foi no programa Roda Viva, da TV Cultura, e uma fala aumentou ainda mais os debates sobre o tema. A bióloga argumentou que num cenário de melhora de muitos pacientes com a polilaminina, poderiam ser dispensados os testes em um grupo controle, padrão ouro na pesquisa científica.

O grupo controle é um conjunto de pacientes que é acompanhado, mas não recebe o remédio que está sendo pesquisado, justamente para poder comparar os efeitos entre quem tomou e quem não tomou. Diante do cenário, e antes mesmo da repercussão da entrevista no programa da TV Cultura, a SBPC, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e a ABC, Academia Brasileira de Ciências, publicaram editorial conjunto pedindo cautela e reforçando que a substância ainda está em fase de testes clínicos autorizados pela Anvisa e, portanto, sem eficácia comprovada.

A professora do ICB destacou que o estudo da UFRJ, liderado pela professora Tatiana Sampaio, é promissor e ela acredita que todos os processos serão seguidos, garantindo o rigor científico. Para Aline Miranda, por um lado, é positivo ter uma cientista com tanta projeção na mídia, mas a grande visibilidade ao estudo da polilaminina para lesões medulares é precoce e causa esperanças que podem não se confirmar no futuro.

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