Protestos na Bolívia: Há sinais de que a repressão pode aumentar, mas desfecho é imprevisível, analisa professor da UFC Clayton Cunha Filho
Pesquisador da política boliviana há quase duas décadas destaca mudanças do presidente Rodrigo Paz após eleito e falta de apoio político
Nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará (UFC), pesquisador da política boliviana há quase duas décadas e autor do livro “Formação do Estado e Horizonte Plurinacional na Bolívia”, Clayton Cunha Filho, conversou com a jornalista e apresentadora Luiza Glória, no programa Conexões.
Na Bolívia, apenas seis meses após assumir o poder, o presidente de centro-direita Rodrigo Paz enfrenta uma onda crescente de protestos, bloqueios de estradas e paralisações em diferentes regiões do país. Sindicatos, trabalhadores rurais, operários, mineiros, professores e grupos indígenas denunciam a pior crise econômica desde 1980. As mobilizações já duram mais de três semanas e afetam o cotidiano da população boliviana, que sofre com a escassez de alimentos, combustível e medicamentos. De acordo com dados oficiais, pelo menos 47 bloqueios de estradas foram registrados em 7 dos 9 departamentos do país e mais de 130 pessoas já foram presas.
O pesquisador destacou o contexto da eleição de Rodrigo Paz, que foi uma grande surpresa, com participação importante do vice-presidente da chapa, Edmand Lara. Ambos romperam no início do mandato, quando houve também mudança de direcionamento político. Para o professor, Paz se comporta muito mais como um político de direita radical desde que assumiu o poder. Ele ressaltou a crise econômica já instalada no país e que há sinais de que a repressão, moderada até o momento, deve aumentar. O professor conclui que o desfecho é imprevisível no momento.
Produção: Ingrid Mendonça, sob orientação de Alessandra Dantas e Hugo Rafael