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Tortura de empregada doméstica no Maranhão: Patroa “tinha certeza da impunidade e da superioridade”, analisa advogada trabalhista e membra do MNU Sanny Carla Simões

A integrante do Movimento Negro Unificado cobrou punição exemplar e defendeu que o combate ao racismo estrutural é dever de todas as pessoas

Nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, advogada trabalhista, Membra do Movimento Negro Unificado, Diretora de Inclusão e Diversidade da OAB subseção Barro Preto e Conselheira Suplente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, Sanny Carla Simões, conversou com a jornalista e apresentadora Alessandra Dantas, no programa Acesso Livre.

Uma trabalhadora doméstica grávida de 6 meses foi torturada no Maranhão. A autora da violência foi sua patroa Carolina Sthela Ferreira dos Anjos. No Brasil, a tortura é crime inafiançável e não pode ser anistiado. A Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo quinto defende que “Niinguém pode ser submetido a tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”. Ou seja, o que foi feito com essa trabalhadora doméstica foi gravíssimo. O crime aconteceu no dia 17 de abril, mas ganhou repercussão após algumas falas da agressora ganharem visibilidade. Em áudios exclusivos obtidos pela TV Mirante, afiliada da TV Globo no Maranhão, ela narra o crime com tom de celebração e deboche, o que revela a total ausência de empatia e nenhum receio de punição. Nele, ela relata que agrediu a trabalhadora doméstica com a ajuda de um amigo policial militar, Michael Bruno, que dava coronhadas na trabalhadora enquanto a patroa a agredia com tapas. O motivo de toda essa atrocidade foi a suspeita de que a trabalhadora doméstica tinha furtado um anel.

Tivemos também a participação da coordenadora-geral da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), Cleide Pinto, que destacou o posicionamento de repúdio da entidade em relação ao caso. A advogada Sanny Carla Simões chamou a atenção para o racismo institucional que protege a empregadora, uma mulher que já cometeu outros crimes contra empregadas domésticas e cobrou punição exemplar para coibir essa conduta.

‘Esse caso está muito ligado ao racismo no nosso país, que nós estamos lutando há quantos anos para poder acabar com isso? O caso é sério, é um caso de racismo. Se o Estado e a sociedade não pararem para pensar “nós temos que trabalhar contra o racismo neste país”, nós não teremos solução para esses casos. Temos que lembrar que o trabalho doméstico no Brasil possui raízes profundas no período escravocrata’, pontuou Simões.

 

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