{"id":12303,"date":"2025-10-17T17:09:00","date_gmt":"2025-10-17T20:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/?post_type=news&#038;p=12303"},"modified":"2025-10-29T14:40:07","modified_gmt":"2025-10-29T17:40:07","slug":"ensaio-sobre-uma-entrevista-livro-reflete-sobre-as-memorias-precoces-de-uma-vitima-da-ditadura","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/ensaio-sobre-uma-entrevista-livro-reflete-sobre-as-memorias-precoces-de-uma-vitima-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Ensaio sobre uma entrevista: livro reflete sobre as mem\u00f3rias precoces de uma v\u00edtima da ditadura"},"content":{"rendered":"\n<p>O professor Eduardo Soares Neves Silva,&nbsp;do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (Fafich), foi uma das mais precoces v\u00edtimas da ditadura brasileira. Em outubro de 1973, quando tinha apenas quatro anos, ele foi&nbsp;preso junto com a&nbsp;m\u00e3e, Maria Madalena Prata Soares, no Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) de Minas Gerais, local que ficou conhecido por ser um dos principais polos de tortura dos cidad\u00e3os que se opunham ao regime militar que vigorou no pa\u00eds de&nbsp;1964 a 1985.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, a professora do Departamento de Hist\u00f3ria da Fafich Miriam Hermeto entrevistou Eduardo Soares Neves&nbsp;sobre as traum\u00e1ticas lembran\u00e7as&nbsp;de seus primeiros anos de vida. O objetivo era produzir material para o Memorial dos Direitos Humanos, cujo projeto \u2013 previsto para ser erguido&nbsp;<a href=\"https:\/\/ufmg.br\/comunicacao\/publicacoes\/boletim\/edicao\/2046\/memorias-em-disputa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">no mesmo Dops em que Eduardo ficara preso d\u00e9cadas antes junto da m\u00e3e<\/a>&nbsp;\u2013 n\u00e3o chegou a ser conclu\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/10\/Capa-Agradeco-pela-permanencia-e1761759517534-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Na capa do livro, foto re\u00fane Eduardo e o irm\u00e3o Dorival, logo ap\u00f3s a sa\u00edda da pris\u00e3o, em 1973\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tNa capa do livro, foto re\u00fane Eduardo e o irm\u00e3o Dorival, logo ap\u00f3s a sa\u00edda da pris\u00e3o, em 1973\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tImagem: Reprodu\u00e7\u00e3o de capa\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>Com o impasse sobre a constru\u00e7\u00e3o do memorial, o conte\u00fado da entrevista, protegido por cl\u00e1usula de confidencialidade, acabou permanecendo in\u00e9dito, em preju\u00edzo da documenta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Como forma de lan\u00e7ar luz sobre a hist\u00f3ria vivida e contada por Eduardo Neves&nbsp;naquela conversa, Miriam Hermeto escreveu e est\u00e1 publicando o livro&nbsp;<em>Agrade\u00e7o pela perman\u00eancia: A entrevista de Eduardo Soares Neves Silva como experi\u00eancia, presen\u00e7a, rela\u00e7\u00e3o humana<\/em>&nbsp;(Editora Letra e Voz, 2025). Nele, a historiadora publica&nbsp;n\u00e3o a entrevista, que segue embargada, mas uma reflex\u00e3o que a toma como mote e eixo orbital \u2013 em cujas brechas o esp\u00edrito da conversa&nbsp;acaba por, indiretamente, se revelar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cImpedida de trabalhar sobre e com a entrevista, decidi narrar como ela me impeliu a lidar com fragmentos de mem\u00f3rias para distribuir sentidos \u00e0 nossa hist\u00f3ria recente. Uma experi\u00eancia que n\u00e3o se resume ao momento em que a entrevista aconteceu. Abrange o que se passou desde ent\u00e3o, em cinco anos, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele momento e ao que dele adveio\u201d, anota a professora em seu pequeno volume, que j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 venda na internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Na obra, Miriam mobiliza recursos variados de seu campo de conhecimento para iluminar, por meio da hist\u00f3ria de vida do colega de doc\u00eancia e do pr\u00f3prio processo de se chegar a essa hist\u00f3ria pol\u00edtico-familiar, algo tamb\u00e9m mais geral da experi\u00eancia das demais crian\u00e7as brasileiras que sofreram nas m\u00e3os da repress\u00e3o que eclodiu na esteira do golpe civil-militar de 1964. No livro, ela faz lembrar, por exemplo, do document\u00e1rio&nbsp;<em>15 filhos<\/em>&nbsp;(Brasil, 1996), que trata das filhas e dos filhos dos militantes da esquerda da gera\u00e7\u00e3o de Eduardo Neves&nbsp;que foram v\u00edtimas de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos na ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ressignifica\u00e7\u00e3o de fragmentos<br><\/strong>O&nbsp;entrevistado, como docente e fil\u00f3sofo, d\u00e1 seu testemunho \u201c\u00e0 la Walter Benjamin\u201d, afirma Miriam, na medida em que precisa ressignificar fragmentos de um passado quase imemorial. Escreve Benjamin em&nbsp;<em>O jogo das letras<\/em>, na cita\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 feita na obra: \u201cNunca podemos recuperar totalmente o que foi esquecido. E talvez seja bom assim. O choque do resgate do passado seria t\u00e3o destrutivo que, no exato momento, for\u00e7osamente deixar\u00edamos de compreender nossa saudade. Mas \u00e9 por isso que a compreendemos, e tanto melhor, quanto mais profundamente jaz em n\u00f3s o esquecido.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dois eventos ocorrem em Belo Horizonte na semana que vem em torno da obra e da entrevista que, ausente, por meio dela se insinua. Nesta ter\u00e7a-feira, 21, \u00e0s 19h30, a autora&nbsp;debater\u00e1 o livro com o pr\u00f3prio Eduardo Neves, que atualmente&nbsp;\u00e9 pr\u00f3-reitor adjunto de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da UFMG,&nbsp;em mesa-redonda no audit\u00f3rio Carangola da Fafich. Tamb\u00e9m participa do encontro o historiador Gabriel Amato Bruno de Lima, professor do Centro Pedag\u00f3gico (CP) e pesquisador&nbsp;do Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria do Tempo Presente (LHTP) da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os estudantes de gradua\u00e7\u00e3o da UFMG, o evento se insere no \u00e2mbito das&nbsp;Atividades Acad\u00eamicas Complementares (AAC) do Noturno.&nbsp;Para que os cr\u00e9ditos possam ser aproveitados, o aluno deve se inscrever no sistema de Gest\u00e3o de Eventos (GES) da UFMG. Nele, a mesa-redonda est\u00e1 nomeada como&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/aplicativos.ufmg.br\/conhecimento\/atividades\/e\/2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Hist\u00f3ria oral e ditadura militar: experi\u00eancia, presen\u00e7a e rela\u00e7\u00e3o humana<\/a><\/em>. Al\u00e9m de tratarem do conte\u00fado do livro, os participantes v\u00e3o debater tamb\u00e9m especificidades metodol\u00f3gicas do seu processo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sexta-feira, 24, \u00e0s 18h30, ocorrer\u00e1 o lan\u00e7amento do livro&nbsp;na Livraria Jenipapo (Rua Fernandes Tourinho, 241, Savassi). Na ocasi\u00e3o, a entrevistadora e o entrevistado encontram-se novamente para seguir conversando sobre o livro e sobre essa entrevista ausente-presente, terminada e em constru\u00e7\u00e3o \u2013 em suma, sobre o \u201cexerc\u00edcio que permite rever pressupostos sobre a mem\u00f3ria produzida sobre a ditadura ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas no Brasil, tensionando representa\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as assentadas\u201d, como se anota no material de divulga\u00e7\u00e3o do lan\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"400\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/10\/Livraria-Jenipapo-1-712x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Livraria Jenipapo recebe o lan\u00e7amento de 'Agrade\u00e7o pela perman\u00eancia', de Miriam Hermeto, nesta semana\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tLivraria Jenipapo recebe o lan\u00e7amento de &#8216;Agrade\u00e7o pela perman\u00eancia&#8217;, de Miriam Hermeto, nesta semana\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Ewerton Martins Ribeiro | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Sabia que n\u00e3o devia dormir\u2019<br><\/strong>Filho de Maria Madalena Prata Soares e Everaldo Chrispim da Silva, militantes da organiza\u00e7\u00e3o da esquerda cat\u00f3lica A\u00e7\u00e3o Popular (AP), Eduardo Neves&nbsp;foi sequestrado junto com a m\u00e3e&nbsp;por agentes da repress\u00e3o num s\u00edtio na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte justamente no momento em que eles, j\u00e1 vivendo na clandestinidade, aguardavam a oportunidade de partir para o ex\u00edlio. Era o in\u00edcio dos anos 1970, tempo do maior recrudescimento da repress\u00e3o e da viol\u00eancia da ditadura; j\u00e1 n\u00e3o havia condi\u00e7\u00f5es de se manter em seguran\u00e7a no territ\u00f3rio brasileiro. Lembrando da entrevista com o professor, Miriam anota em seu volume:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cDudu sabia que n\u00e3o devia dormir. Havia sempre algu\u00e9m vigiando e o soldado poderia fazer algo ruim com ele e sua m\u00e3e. Queria seu brinquedo, que tiraram. Ficou muito constrangido porque teve que ficar pelado na frente de outras pessoas. Tinha fome e ganhou, de algu\u00e9m, uma ma\u00e7\u00e3 \u2013 ou um bolo? \u2013 que levou para dividir com a m\u00e3e. Ela cuidava dele e tentava brincar de alguma forma. Foi levado a uma janela e ficou dependurado, ou quase, enquanto gritavam com sua m\u00e3e. Queriam saber quem eram os tios e tias que ele conhecia. Queriam saber do paradeiro de seu pai. Mas ele n\u00e3o estava ali. Dudu e Madalena estavam s\u00f3s naquele lugar, ele n\u00e3o entendia por qu\u00ea.\u201d<\/em><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O poder imprevis\u00edvel&nbsp;da hist\u00f3ria oral<\/h3>\n\n\n\n<p>Miriam Hermeto tamb\u00e9m \u00e9&nbsp;autora de&nbsp;<em>Entrevistas imprevistas: surpresa e criatividade em hist\u00f3ria oral<\/em>&nbsp;(Letra e Voz, 2022), que ela organizou em parceria com Ricardo Santhiago. H\u00e1 algumas semanas, a vers\u00e3o em ingl\u00eas da obra \u2013&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Unexpected-Oral-History-Surprising-Interviews-ebook\/dp\/B0BS5YV2VK\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">The unexpected in oral history: Case studies of surprising interviews<\/a><\/em>&nbsp;(Palgrave Macmillan, 2023) \u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DOtaYOVjOHG\/?igsh=MWY4OXRhNGI4MXVjbw%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">foi eleita pela International Oral History Association (IOHA) como o melhor livro de hist\u00f3ria oral do bi\u00eanio em todo o mundo<\/a>. O livro tamb\u00e9m pode ser encontrado \u00e0 venda na internet.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/10\/Capa-de-Entrevistas-imprevistas-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Vers\u00e3o em ingl\u00eas de 'Entrevistas imprevistas' recebeu pr\u00eamio da International Oral History Association\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tVers\u00e3o em ingl\u00eas de &#8216;Entrevistas imprevistas&#8217; recebeu pr\u00eamio da International Oral History Association\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tImagem: Reprodu\u00e7\u00e3o de capa\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>Reunindo diferentes experi\u00eancias de pesquisa,&nbsp;<em>Entrevistas imprevistas<\/em>&nbsp;mostra como situa\u00e7\u00f5es de surpresa, das f\u00e9rteis \u00e0s desconcertantes, se tornam, no \u00e2mbito da hist\u00f3ria oral, ocasi\u00f5es para a reinven\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica e epistemol\u00f3gica. Aqui, em jogo, est\u00e1 a discuss\u00e3o sobre o lugar do improviso, da vulnerabilidade e da coautoria na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento hist\u00f3rico. O pr\u00eamio foi atribu\u00eddo durante a 23\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Congresso da International Oral History Association (IOHA), realizado em Crac\u00f3via, na Pol\u00f4nia, em meados de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO reconhecimento internacional confirma a relev\u00e2ncia de uma obra que explora o imprevisto como dimens\u00e3o fundamental do trabalho de campo envolvendo entrevistas\u201d, anota a editora em&nbsp;comunicado distribu\u00eddo&nbsp;por ocasi\u00e3o do an\u00fancio do pr\u00eamio. \u201cInspirado no ensaio fundamental de Janaina Amado sobre \u2018o grande mentiroso\u2019, o livro questiona a ideia de entrevista como procedimento est\u00e1vel e controlado, propondo em seu lugar uma reflex\u00e3o sobre a criatividade, a imagina\u00e7\u00e3o e a abertura ao inesperado que atravessam a escuta e a escrita em hist\u00f3ria oral.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A autora<\/strong><br>Professora do Departamento de Hist\u00f3ria e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (Fafich), Miriam Hermeto S\u00e1 Motta fez toda a sua forma\u00e7\u00e3o superior na UFMG: licenciatura (1994), bacharelado (1997)&nbsp;e doutorado (2010) em Hist\u00f3ria, al\u00e9m de&nbsp;mestrado em Educa\u00e7\u00e3o, em 2002. Ela coordena o Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria do Tempo Presente (LHTP) da Fafich e \u00e9 pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Ensino de Hist\u00f3ria da mesma unidade. Miriam&nbsp;tamb\u00e9m integra a&nbsp;Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Hist\u00f3ria Oral (ABHO) e a Rede Brasileira de Hist\u00f3ria P\u00fablica (RBHP).<\/p>\n\n\n\n<p>Como pesquisadora, Miriam atua&nbsp;na fronteira entre duas \u00e1reas de pesquisa: a da Hist\u00f3ria do Brasil contempor\u00e2neo, com \u00eanfase no per\u00edodo da ditadura civil-militar (1964-1985) e no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que o&nbsp;sucedeu, e a de Ensino de&nbsp;Hist\u00f3ria, em que investe em abordagens que transitam entre a hist\u00f3ria cultural do pol\u00edtico, a hist\u00f3ria p\u00fablica e a hist\u00f3ria da mem\u00f3ria. No \u00e2mbito desse segundo campo, ela publicou a obra&nbsp;<em>Hist\u00f3ria p\u00fablica e ensino de hist\u00f3ria<\/em>&nbsp;(Letra e Voz, 2021), junto com&nbsp;Rodrigo de Almeida Ferreira, da Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas minibiografias que apresenta em seus livros, a professora n\u00e3o se furta anotar que \u201ctamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e, cantora diletante e escritora \u2013 dimens\u00f5es que s\u00e3o partes integrantes de sua escuta e escrita\u201d. Sob essa perspectiva, Miriam ministrou, nos \u00faltimos anos, uma s\u00e9rie de aulas-show sobre a ditadura. Nelas, a historiadora-cantora&nbsp;mobilizava can\u00e7\u00f5es populares para potencializar a interpreta\u00e7\u00e3o historiogr\u00e1fica desse tr\u00e1gico cap\u00edtulo da vida brasileira. No \u00e2mbito dessa interdisciplinaridade, ela \u00e9 autora do livro&nbsp;<em>Can\u00e7\u00e3o popular brasileira e ensino de Hist\u00f3ria: Palavras, sons e tantos sentidos<\/em>&nbsp;(Aut\u00eantica Editora, 2012).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Livro<\/strong>:&nbsp;<em>Agrade\u00e7o pela perman\u00eancia: A entrevista de Eduardo Soares Neves Silva como experi\u00eancia, presen\u00e7a, rela\u00e7\u00e3o humana<\/em><br><strong>Autora<\/strong>: Miriam Hermeto<br>Editora Letra e Voz<br>R$ 48 \/ 116 p\u00e1ginas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Livro<\/strong>:&nbsp;<em>Entrevistas imprevistas: surpresa e criatividade em hist\u00f3ria oral<\/em><br><strong>Organizadores<\/strong>: Miriam Hermeto e Ricardo Santhiago<br>Editora Letra e Voz<br>R$ 56 \/ 352 p\u00e1ginas<\/p>\n","protected":false},"featured_media":12304,"template":"","class_list":["post-12303","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/12303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12304"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}