{"id":13173,"date":"2025-11-12T09:05:55","date_gmt":"2025-11-12T12:05:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=13173"},"modified":"2025-11-12T14:11:48","modified_gmt":"2025-11-12T17:11:48","slug":"a-danca-das-memorias-livro-infantil-aborda-busca-por-bisavo-mineira-da-filosofa-sueli-carneiro","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/arte-e-cultura\/a-danca-das-memorias-livro-infantil-aborda-busca-por-bisavo-mineira-da-filosofa-sueli-carneiro\/","title":{"rendered":"\u2018A dan\u00e7a das mem\u00f3rias\u2019: livro infantil aborda busca por bisav\u00f3 mineira da fil\u00f3sofa Sueli Carneiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No m\u00eas em que se celebra o legado da resist\u00eancia negra e a promo\u00e7\u00e3o da igualdade racial no Brasil, falar de ancestralidade \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade de trazer para o debate a luta por direitos. A tem\u00e1tica permeia <em>A dan\u00e7a das mem\u00f3rias<\/em>, livro infantil escrito pela historiadora e professora de arquivologia da Escola de Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o (ECI) Ivana Parrela, em parceria com Bianca Santana, jornalista e bi\u00f3grafa da fil\u00f3sofa e escritora Sueli Carneiro, Cec\u00edlia Santana, filha de Bianca, e Luanda Carneiro Jacoel, filha de Sueli.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDivulgar o livro agora [no Novembro Negro] \u00e9 fundamental para trazermos o tema para as crian\u00e7as e para os arquivos e a arquivologia, que t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de se apresentar como custodiadores de documentos para a escrita de hist\u00f3rias como as que narramos\u201d, afirma Ivana Parrela. Ela mediar\u00e1 um bate-papo no lan\u00e7amento da obra nesta quinta-feira, dia 13 de novembro, \u00e0s 18h, na sala da Congrega\u00e7\u00e3o da ECI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Imers\u00e3o na hist\u00f3ria<\/strong><br>As quatro autoras, que tamb\u00e9m s\u00e3o personagens do livro, sa\u00edram de S\u00e3o Paulo, com destino a Gr\u00e3o Mogol, cidade hist\u00f3rica do Norte de Minas Gerais, onde nasceu Maria Gaivota, bisav\u00f3 da fil\u00f3sofa Sueli Carneiro, uma das principais refer\u00eancias do feminismo negro no pa\u00eds. L\u00e1, m\u00e3es e filhas \u2013 Bianca e Cec\u00edlia, Sueli e Luanda \u2013 contam com a ajuda da professora Ivana, que pesquisa a hist\u00f3ria da regi\u00e3o, para saber mais sobre Maria Gaivota e sobre o contexto da cidade em que ela viveu. Apesar de n\u00e3o participar da escrita do livro, Sueli \u00e9 uma inspira\u00e7\u00e3o desse trabalho e refer\u00eancia na discuss\u00e3o do feminismo, principalmente o feminismo negro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA personagem principal \u00e9 a Cec\u00edlia <em>[filha de Bianca, bi\u00f3grafa de Sueli]<\/em>. \u00c9 para ela que falamos sobre mem\u00f3ria e sua import\u00e2ncia, pois acreditamos que a constru\u00e7\u00e3o de genealogias femininas \u00e9 importante para fortalecer identidades&#8221;, explica Ivana. Ela conta que os textos geneal\u00f3gicos, que narram as rela\u00e7\u00f5es das protagonistas femininas com familiares \u2013 m\u00e3es, av\u00f3s, tias, filhas, netas ou bisav\u00f3s \u2013 possibilitam conectar essas mulheres, que s\u00e3o fortalecidas por esses la\u00e7os e pelo pertencimento aos seus grupos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Da tese ao livro<\/strong><br>A discuss\u00e3o de <em>A dan\u00e7a das mem\u00f3rias<\/em> teve in\u00edcio quando Bianca Santana estava terminando a tese de doutorado em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e queria chegar, ao menos, \u00e0 bisav\u00f3 de Sueli, mas n\u00e3o conseguia contato com os arquivos de Gr\u00e3o Mogol. Em um evento de arquivologia, onde apresentou seu trabalho, a ent\u00e3o doutoranda pediu ajuda para contatar pessoas que conhecessem os arquivos da cidade mineira, e Ivana, pesquisadora sobre a hist\u00f3ria do local h\u00e1 mais de 20 anos, lhe foi apresentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCom o apoio de estagi\u00e1rios, busquei o registro de batismo de Maria Gaivota na Matriz de Santo Ant\u00f4nio de Gr\u00e3o Mogol\u201d, explica Ivana. \u201cEu o enviei para Bianca e, a partir da\u00ed, come\u00e7amos a conversar sobre as dificuldades de pesquisar as genealogias das pessoas negras e, especialmente, das mulheres. A filha dela, Cec\u00edlia, que tinha sete anos, disse que tamb\u00e9m queria fazer pesquisas e escrever junto. As conversas desenrolaram, e convidamos Luanda, a filha de Sueli, para se juntar a n\u00f3s na aventura da escrita para crian\u00e7as.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tese de Bianca Santana foi transformada em livro e publicada em 2021 pela Companhia das Letras, com o t\u00edtulo <em>Continuo preta: a vida de Sueli Carneiro<\/em>. Em 2025, j\u00e1 pela editora F\u00f3sforo, ela publicou o livro <em>Apolin\u00e1ria<\/em>, dedicado \u00e0 filha. Apolin\u00e1ria era a av\u00f3 de Cec\u00edlia. Ivana conta que, ao final da escrita de <em>A dan\u00e7a das mem\u00f3rias<\/em>, em 2020, Cec\u00edlia manifestou o desejo de conhecer a sua genealogia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Arquivo como lugar de direitos<\/strong><br>\u201cEscrever como personagem \u00e9 a chance de apresentar \u00e0s crian\u00e7as a pot\u00eancia do arquivo para fornecer os subs\u00eddios para a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. O arquivo \u00e9 lugar de garantia de direitos, de cidadania&#8221;, diz Ivana Parrela. Segundo ela, o foco das autoras foi mostrar, de forma leve, mas reflexiva, como a pesquisa em ci\u00eancias humanas e sociais pode fornecer elementos para constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias, e que isso \u00e9 um direito de todos. Sueli Carneiro cresceu sem muito contato com a mem\u00f3ria da bisav\u00f3. Portanto, um dos grandes m\u00e9ritos das pesquisas de Bianca foi conectar essas duas mulheres \u00e0 sua hist\u00f3ria familiar. \u201cNo livro h\u00e1 diversos toques nesse sentido: o quanto \u00e9 poss\u00edvel saber da hist\u00f3ria local a partir dos arquivos; como \u00e9 o percurso para chegar ao tema a ser pesquisado; como, de modo bem pragm\u00e1tico, usamos cada tipo de documento para a constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria biogr\u00e1fica&#8221;, explica Parrela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao tratar da ancestralidade em um livro infantil, as autoras alcan\u00e7am um p\u00fablico que ainda carece de conhecer e aprender mais sobre refer\u00eancias negras. \u201cNo in\u00edcio, pensamos que seria at\u00e9 mais dif\u00edcil, mas percebemos que est\u00e1vamos escrevendo sobre mulheres para meninas (n\u00e3o s\u00f3 para elas), criando legitima\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os e de express\u00e3o&#8221;, afirma a professora da ECI.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ivana ainda destaca que falar da hist\u00f3ria de Sueli e Bianca \u00e9 uma oportunidade para ressaltar um elemento importante na luta feminista, o esfor\u00e7o de m\u00e3es trabalhadoras que ainda desenvolvem carreiras paralelas de pesquisa. Em meio a uma hist\u00f3ria feita de encontros, mem\u00f3rias e busca da ancestralidade, o livro tamb\u00e9m leva a pensar na tripla jornada das mulheres (m\u00e3e, profissional e pesquisadora), como nos casos de Sueli e Bianca e em como pesquisar a hist\u00f3ria das mulheres negras em arquivos pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/11\/1000097957-e1762902072970-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Livro relaciona dan\u00e7a, ancestralidade e conex\u00f5es afetivas\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tLivro relaciona dan\u00e7a, ancestralidade e conex\u00f5es afetivas\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tImagem: Reprodu\u00e7\u00e3o de capa\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O fio condutor<\/strong><br>Como traz o t\u00edtulo, a obra ainda fala sobre dan\u00e7a, que entrou como um fio condutor da narrativa. \u201cLuanda \u00e9 uma dan\u00e7arina profissional, uma pesquisadora da dan\u00e7a, que discute a mem\u00f3ria do movimento. No momento da escrita do texto, a Cec\u00edlia estava encantada pela dan\u00e7a e capoeira. Ent\u00e3o, esse tornou-se um elo perfeito para discutir a hist\u00f3ria das duas, filhas de mulheres pesquisadoras e militantes&#8221;, explica a docente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra foi publicada pela Editora UFMG, por meio do selo Estraladab\u00e3o \u2013 dedicado a publica\u00e7\u00f5es infantojuvenis \u2013 em coedi\u00e7\u00e3o com a Crivo Editorial, pelo selo Crivinho. A publica\u00e7\u00e3o contou com apoio institucional dos governos federal e estadual, via Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult-MG), por meio da Lei Paulo Gustavo (Edital LPG 08\/2023 &#8211; Territ\u00f3rios e paisagens culturais).<\/p>\n","protected":false},"featured_media":13174,"template":"","class_list":["post-13173","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/13173","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13174"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13173"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}