{"id":15189,"date":"2025-12-12T11:56:13","date_gmt":"2025-12-12T14:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=15189"},"modified":"2025-12-12T15:18:11","modified_gmt":"2025-12-12T18:18:11","slug":"pesquisas-da-ufmg-mapeiam-a-forca-das-batalhas-de-poesia-em-belo-horizonte","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/arte-e-cultura\/pesquisas-da-ufmg-mapeiam-a-forca-das-batalhas-de-poesia-em-belo-horizonte\/","title":{"rendered":"Pesquisas da UFMG mapeiam a for\u00e7a das \u2018batalhas de poesia\u2019 em Belo Horizonte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Belo Horizonte \u00e9 muito elogiada pelo <em>footing<\/em> liter\u00e1rio que oferece hoje na regi\u00e3o da Savassi, nas manh\u00e3s de s\u00e1bado, no entorno de suas tantas livrarias de rua: Quixote, Scriptum, Jenipapo, Livraria da Rua, Outlet do Livro, entre outras. Estabelecidas em dois quarteir\u00f5es da Rua Fernandes Tourinho e em seu entorno pr\u00f3ximo, essas livrarias costumam sediar v\u00e1rios lan\u00e7amentos ao mesmo tempo, tornando a regi\u00e3o o ambiente perfeito para quem deseja se atualizar sobre o que de mais novo est\u00e1 ocorrendo na vida cultural, liter\u00e1ria e intelectual da cidade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paralelamente, tamb\u00e9m \u00e9 comum se destacar o bom momento vivido pelo meio editorial da capital, <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/pensar\/2025\/07\/7192672-tese-faz-mapeamento-inedito-da-producao-editorial-em-bh.html\">onde dezenas de boas editoras floresceram nos \u00faltimos anos<\/a>, das independentes \u00e0s de estrutura mais comercial (Mazza, Aut\u00eantica, Relic\u00e1rio, Impress\u00f5es de Minas), muitas das quais respons\u00e1veis pelos lan\u00e7amentos apresentados \u00e0 cidade toda semana. O que pouca gente sabe \u00e9 que, paralelamente a essa efervesc\u00eancia cultural mais burguesa e acad\u00eamica, outro ambiente liter\u00e1rio emerge t\u00e3o ou mais pujante que esse, com \u201csedes\u201d espraiadas por toda a cidade, do centro \u00e0s periferias: \u00e9 a cena dos slams, as batalhas de poesia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, a capital mineira \u2013 que completa 128 anos nesta sexta-feira, 12 de dezembro \u2013 \u00e9 considerada uma refer\u00eancia nacional da modalidade, atr\u00e1s apenas de S\u00e3o Paulo, a metr\u00f3pole atrav\u00e9s da qual o slam entrou no pa\u00eds no in\u00edcio do s\u00e9culo 21. Parte pela natureza mais perif\u00e9rica (local e cultural) do movimento, parte talvez pelo perfil m\u00e9dio dos seus participantes (em geral, jovens estudantes pobres e negros, pretos e pardos, desconectados do circuito burgu\u00eas <em>mainstream<\/em> de produ\u00e7\u00e3o de valor cultural da cidade), o fato \u00e9 que o assunto pouco repercute na imprensa regional, revelando-se inclusive como <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/especiais\/2025\/06\/7180093-bh-capital-dos-livros-reportagem-traz-panorama-da-cena-literaria.html\">uma estranha aus\u00eancia no mais recente levantamento feito da cena liter\u00e1ria da capital<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A despeito disso, a cena slam segue cada vez mais pujante na capital de Minas. \u00c9 o que demonstram diferentes pesquisas realizadas na UFMG. Na \u00faltima d\u00e9cada, pelo menos oito trabalhos sobre o tema foram defendidos em diferentes programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Universidade. Essas teses e disserta\u00e7\u00f5es demarcam o slam talvez como o fen\u00f4meno liter\u00e1rio mais relevante da contemporaneidade, pass\u00edvel de ser explorado por diferentes vieses \u2013 a come\u00e7ar pelo retorno que promove \u00e0 origem oral da rela\u00e7\u00e3o do homem com a poesia, anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da prensa e ao estabelecimento dos processos comerciais de circula\u00e7\u00e3o impressa das produ\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria UFMG costuma ser palco de slams. O mais conhecido talvez seja o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/slamdaultimasemana\/\">Slam da \u00daltima Semana<\/a>, realizado regularmente na Arena da Fafich e em outros espa\u00e7os da UFMG, inclusive com participa\u00e7\u00f5es em eventos institucionais da Universidade, como o Novembro Negro e os festivais de arte e cultura.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/12\/Fafich3-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Imagens do Slam da \u00daltima Semana\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"'Slam da \u00daltima Semana' costuma ocorrer na arena da Fafich, junto a outras atividades realizadas pelo movimento estudantil\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\t&#8216;Slam da \u00daltima Semana&#8217; costuma ocorrer na arena da Fafich, junto a outras atividades realizadas pelo movimento estudantil\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFotos: Redes Sociais do Slam da \u00daltima Semana | Reprodu\u00e7\u00e3o\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O slam na \u2018capital dos livros\u2019 e das editoras<\/strong><br>A hist\u00f3ria dos slams na capital mineira teve sua pedra fundamental estabelecida em 9 de setembro de 2008. Naquele dia, depois de terem visitado um m\u00eas antes o sarau da Cooperifa, em S\u00e3o Paulo, os poetas e ativistas culturais Rog\u00e9rio Meira Coelho e Jess\u00e9 Duarte reuniram-se no bar do seu Z\u00e9 Herculano, no bairro Independ\u00eancia, no Barreiro, na divisa entre Belo Horizonte e Ibirit\u00e9, para declamar poesias. Aquele momento marcou a funda\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/coletivoz.blogspot.com\/\">Coletivoz Sarau de Periferia<\/a>, ponto de partida para tudo o que viria a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa hist\u00f3ria \u00e9 recuperada em diferentes trabalhos produzidos na UFMG, entre eles a disserta\u00e7\u00e3o <em>A palavra\u00e7\u00e3o: atos pol\u00edtico-perform\u00e1ticos no Coletivoz Sarau de Periferia e Poetry Slam Clube da Luta<\/em>, defendida pelo pr\u00f3prio Rog\u00e9rio em 2017 no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes. Segundo o pesquisador e slammer, o que nascia ali era um movimento com fortes resson\u00e2ncias \u201cdos campos da <em>performance art<\/em> e do teatro performativo\u201d, ainda que sem plena consci\u00eancia, naquele momento, desse engajamento na esteira de movimentos art\u00edsticos can\u00f4nicos. Ao contr\u00e1rio, o que se come\u00e7ava a realizar, escreve Rog\u00e9rio, eram \u201catos pol\u00edtico-perform\u00e1ticos vindos da Palavra em A\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atua\u00e7\u00e3o primeva do Coletivoz tamb\u00e9m foi estudada por Otacilio de Oliveira Junior na tese <em>Entre a luta, a voz e a palavra: partilhas de sentido em torno de um sarau de periferia<\/em>, defendida no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia um ano antes, em 2016. Mobilizando instrumental te\u00f3rico dos campos da psicologia social e da sociologia da arte, Otacilio investigou \u201ca rede de significa\u00e7\u00e3o\u201d constru\u00edda em torno do sarau, nesse momento preliminar da cena slam na capital mineira. Seu trabalho possivelmente foi o primeiro a tratar do tema na Universidade em um estudo de f\u00f4lego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, os eventos naquela \u00e9poca, ainda que incipientes, j\u00e1 deixavam clara a sua voca\u00e7\u00e3o e se realizavam objetivamente como oportunidades de partilha de sentidos relacionadas a experi\u00eancias de pobreza e de quest\u00f5es \u00e9ticas e est\u00e9ticas relacionadas \u00e0s hierarquias sociais. Nos anos seguintes, esse vi\u00e9s \u2013 social e de classe, ao qual se somariam outros voltados para as demais quest\u00f5es relacionadas \u00e0s minorias \u2013 se estruturaria como um eixo de converg\u00eancia de todo o movimento slam na capital, em seu teor pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cInspirados na possibilidade de ouvir as diversas coletividades, o Coletivoz lan\u00e7ou livros, CDs de grupos de <em>Rap <\/em>e possibilitou que a cena da poesia, mesmo que incipiente, se tornasse cada vez maior na periferia\u201d, escreve Lucas Oliveira Sep\u00falveda na disserta\u00e7\u00e3o <em>A palavra \u00e9 sua!: os jovens e os saraus marginais em Belo Horizonte<\/em>, defendida em 2017 no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o: Conhecimento e Inclus\u00e3o Social. No trabalho, ele detalha como, estimulados pelo advento do Coletivoz,<a href=\"https:\/\/www.uai.com.br\/app\/noticia\/e-mais\/2014\/05\/18\/noticia-e-mais,154799\/voz-da-periferia.shtml\"> outros saraus logo come\u00e7aram a despontar na cidade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro desses legat\u00e1rios foi o Sarau Vira Lata, criado por Kdu dos Anjos \u2013 um dos participantes do Coletivoz \u2013 no dia 30 de agosto de 2011, com forte liga\u00e7\u00e3o com o movimento hip-hop, do qual o slam se tornaria muito pr\u00f3ximo. Naquele dia, teria ocorrido a primeira edi\u00e7\u00e3o do Vira Lata, na Pra\u00e7a da Boa Viagem, regi\u00e3o central de Belo Horizonte; nos anos seguintes, o sarau se tornaria itinerante, passando \u201ca ocupar n\u00e3o s\u00f3 os espa\u00e7os centrais da cidade, mas pra\u00e7as e centros culturais da periferia\u201d, como escreve Sep\u00falveda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, o intuito da mudan\u00e7a era n\u00e3o s\u00f3 o de levar a poesia a outros lugares da cidade, mas tamb\u00e9m o de fazer com que os sujeitos fossem estimulados a se deslocar at\u00e9 locais desconhecidos dela, \u201campliando o processo de aprendizado sobre a cidade\u201d, em uma esp\u00e9cie de interc\u00e2mbio entre periferias. J\u00e1 os slams, propriamente, no formato em que hoje eles s\u00e3o conhecidos e praticados na capital, v\u00e3o eclodir na cidade em meados da d\u00e9cada de 2010.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/12\/Rogerio-Meira-Coelho-Beth-Freitas-Divulgacao-640x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Foto em preto e branco. Nela o slammer Rog\u00e9rio Meira Coelho segura um microfone, recitando poemas, e tem um dos bra\u00e7os levantado para o alto\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Fundador do slam Clube da Luta e um dos precursores da modalidade em Belo Horizonte, Rog\u00e9rio Coelho fez mestrado e doutorado sobre o tema na UFMG\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tFundador do slam Clube da Luta e um dos precursores da modalidade em Belo Horizonte, Rog\u00e9rio Coelho fez mestrado e doutorado sobre o tema na UFMG\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Beth Freitas | Divulga\u00e7\u00e3o\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Clube da Luta<\/strong><br>Tudo parece come\u00e7ar com o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/slamclubedaluta\/\">slam Clube da Luta<\/a>, o primeiro a ser realizado no modelo canonizado de slam. Ele foi criado em 2014 por Tha\u00eds Carvalhais e por Rog\u00e9rio Coelho. Mantendo seus tr\u00e2nsitos entre a Universidade e a periferia, Coelho defenderia, em 2023, nova pesquisa relacionada ao tema, a tese <em>As afrografias e suas resson\u00e2ncias nas performances de poesia falada no slam<\/em>, no \u00e2mbito do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras: Estudos Liter\u00e1rios (P\u00f3s-Lit).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Idealizado por Coelho, o Clube da Luta estabelece-se no Teatro Espanca, no chamado Baixo Centro da capital mineira, no seu momento de maior efervesc\u00eancia cultural. Nos anos que se seguiriam, o \u201cclube\u201d transformaria-se na mais relevante cena de slam da cidade, ativa at\u00e9 hoje. Em sua esteira, in\u00fameras batalhas de poesia seriam criadas em Belo Horizonte nos anos seguintes, segmentando-se ora regionalmente, ora em modelagem (fixas, itinerantes), ora em p\u00fablico-alvo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2015, por exemplo, nasce o Slamternas, no bairro Sinimbu, organizado pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivo_lanternas\/\">Coletivo Lanternas<\/a> (como desdobramento do Sarau dos Lanternas, que j\u00e1 existia desde 2014). Em 2016, em Sarzedo, surge o Slam da Esta\u00e7\u00e3o, de perspectiva itinerante, promovido pelo coletivo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/nosso.sarau\/\">Nosso Sarau<\/a>, que tamb\u00e9m j\u00e1 ocorria como sarau desde 2014. Em Ibirit\u00e9, surge o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SlamTrincheira\/\">Slam Trincheira<\/a>, tamb\u00e9m itinerante, organizado por Leandro Zere e Jo\u00e3o Victor Gomes junto ao coletivo Terra Firme.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2017, emergem ao menos tr\u00eas outros slams na cidade: o das Manas, no Centro, promovido pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivamanas\/\">coletivo Manas<\/a> e voltado exclusivamente para mulheres; o Valores, no Horto, organizado por Fabiana D&#8217;Ac\u00e2ntra e Saulo Mart; e o Avoa, Amor, de perfil itinerante, promovido pelo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/coletivoavoante\/\">Coletivo Avoante<\/a>. Em 2018, dando sequ\u00eancia a esse movimento, Felipe Beluca e Jo\u00e3o Paiva criam, no Barreiro, o Slam do Viaduto pra C\u00e1, e o Programa Fica Vivo!, no bairro de Conjunto Morro Alto, em Vespasiano, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), cria o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/verdadeslam\/\">Slam Verdade seja Dita<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u2018Deambulat\u00f3ria, situacionista e \u201cfronteiri\u00e7a\u2019<\/strong><br>Para a jornalista e pesquisadora Prussiana Fernandes Cunha, slams como os citados nesta reportagem configuram-se, no ch\u00e3o da cidade, \u201ccomo pr\u00e1ticas de tradu\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano, realizadas n\u00e3o apenas atrav\u00e9s da linguagem verbal e da performance oral, mas por meio de um conjunto mais amplo de elementos \u2013 hist\u00f3rias de vida, territ\u00f3rios, fronteiras, tr\u00e2nsitos\u201d. Na tese <em>Uma cidade se reinventa: deambula\u00e7\u00f5es, poesias de periferia e disputas de sentido em Belo Horizonte<\/em>, defendida em 2024 no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o, ela caracteriza essa poesia como \u201csituacionista\u201d, \u201cdeambulat\u00f3ria\u201d e \u201cfronteiri\u00e7a\u201d; uma poesia que \u201ctensiona e disputa sentidos dentro da rede textual da cidade\u201d \u2013 rede que, para a autora, essa mesma poesia ajuda a construir e pela qual \u00e9 tamb\u00e9m composta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a autora, trata-se de uma produ\u00e7\u00e3o \u201cdeambulat\u00f3ria\u201d em raz\u00e3o de que \u201cseus poetas, em situa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, est\u00e3o sempre em tr\u00e2nsito pela cidade\u201d, construindo sentidos e contatos por meio do j\u00e1 citado interc\u00e2mbio entre periferias e entre as periferias e o centro; \u201cfronteiri\u00e7a\u201d, por se fazer na (ou desde a) \u201czona mutante\u201d que s\u00e3o as periferias urbano-po\u00e9ticas de Belo Horizonte, em suas \u201cambiguidades constitutivas\u201d, \u00e1reas de tens\u00e3o social e pol\u00edtica; e \u201csituacionista\u201d porque, conforme ela escreve, essa poesia \u201cn\u00e3o acontece nem antes nem depois, mas junto ao cotidiano da cidade\u201d, agindo sobre ele e sofrendo tamb\u00e9m sua influ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa caracteriza\u00e7\u00e3o se incorpora em um campo mais amplo de investiga\u00e7\u00e3o sobre o qual a pesquisadora se det\u00e9m. \u00c9 que, desde 2018, Prussiana organiza na capital mineira o projeto Atravessar BH, que coordena longas travessias coletivas, a p\u00e9, pela cidade, na busca por se conhecer seus limites, suas fronteiras e seus transbordamentos f\u00edsicos e sociais. As caminhadas ocorrem principalmente &#8220;por regi\u00f5es fora do centro, com o objetivo de conhec\u00ea-las por meio do corpo em deambula\u00e7\u00e3o, das pessoas com quem caminhamos e dos encontros que surgem nos percursos&#8221;, anota a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As primeiras edi\u00e7\u00f5es dessas caminhadas ocorreram justamente junto aos poetas participantes dos saraus e slams das regi\u00f5es de Venda Nova e do Barreiro, hist\u00f3ria que \u00e9 detalhada em sua tese. Segundo ela, a ideia era &#8220;que as caminhadas tamb\u00e9m servissem para que mais gente pudesse conhecer os saraus de periferia e os slams, ajudando a alimentar suas redes&#8221;. No fim dos anos 2010, com o mencionado crescimento da cena slam da capital, come\u00e7am a tamb\u00e9m ser publicados os primeiros levantamentos que tentavam mapear e sistematizar, sob a perspectiva de uma rede, essa pluralidade de iniciativas que pululavam na cidade.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/12\/Prussiana-arquivo-pessoal-BBB-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Fotos de pessoas caminhando por Belo Horizonte\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Em di\u00e1logo com sua pesquisa acad\u00eamica, Prussiana organiza desde 2018 o projeto Atravessar BH, que coordena longas travessias coletivas, a p\u00e9, pela cidade e por suas fronteiras\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tEm di\u00e1logo com sua pesquisa acad\u00eamica, Prussiana organiza desde 2018 o projeto Atravessar BH, que coordena longas travessias coletivas, a p\u00e9, pela cidade e por suas fronteiras\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFotos: redes sociais do projeto Atravessar BH | Reprodu\u00e7\u00e3o\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Os esfor\u00e7os de mapeamento<\/strong><br>Em 2018, a editora Crivo, de Belo Horizonte, publica <em><a href=\"https:\/\/loja.crivoeditorial.com.br\/atlas-do-sarau\">Atlas dos Saraus da RMBH<\/a><\/em>, da arquiteta e poeta Camila F\u00e9lix, talvez o primeiro levantamento sistem\u00e1tico feito do tema na capital. No livro, ela mapeia nada menos que 26 iniciativas que ocorriam na cidade. No ano seguinte, na esteira dessa primeira publica\u00e7\u00e3o, pesquisadores do Cefet-MG realizam novo mapeamento, publicado como livro digital em 2021 sob o t\u00edtulo <em><a href=\"https:\/\/www.letras.bh.cefetmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/193\/2021\/07\/Guia-de-Slams.pdf\">Guia de slams de BH e RMBH<\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organizado por Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira, o guia buscou aumentar o conhecimento acerca de algumas dessas manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Nele s\u00e3o investigados mais profundamente nove dessas iniciativas. \u201cPresentes no cotidiano da popula\u00e7\u00e3o, os eventos [<em>de slam<\/em>] agregam valor est\u00e9tico \u00e0 cidade, atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas orais e perform\u00e1ticas de cunho pol\u00edtico e po\u00e9tico\u201d, escrevem Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira em seu guia, <a href=\"https:\/\/www.letras.bh.cefetmg.br\/wp-content\/uploads\/sites\/193\/2021\/07\/Guia-de-Slams.pdf\">dispon\u00edvel gratuitamente na internet<\/a>.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/12\/Capa-Guia-de-Slams-336x445.png\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Capa do &#039;Guia de slams de BH e RMBH&#039;, organizado por Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"'Guia de slams de BH e RMBH', organizado por Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\t&#8216;Guia de slams de BH e RMBH&#8217;, organizado por Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tImagem: Reprodu\u00e7\u00e3o de capa\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>No meio do caminho, uma pandemia<\/strong><br>\u201cEm 2020, a pandemia de covid-19 imp\u00f4s um isolamento social que impediria a realiza\u00e7\u00e3o presencial dos slams nos dois anos seguintes\u201d, lembra Bruna St\u00e9phane Oliveira Mendes da Silva na tese <em>A voz e a vez das mulheres no slam: poesia, performance e resist\u00eancia<\/em>, defendida em 2024 no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras: Estudos Liter\u00e1rios (P\u00f3s-Lit). \u201cEmbora algumas comunidades tenham recorrido a edi\u00e7\u00f5es on-line, a impossibilidade da presen\u00e7a fez do formato algo distinto dos slams convencionais\u201d, ela anota.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com efeito, a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria impossibilitou n\u00e3o apenas que os eventos seguissem sendo realizados no formato anterior, mas impediu inclusive a continuidade do mapeamento da cena ent\u00e3o em curso. Na \u00e9poca, alguns <em>slams<\/em> at\u00e9 se adaptaram em vers\u00f5es virtuais, mas a maioria acabou sendo interrompida. Em 2023, com o fim das restri\u00e7\u00f5es sociais, o movimento come\u00e7ou novamente a ganhar corpo, ainda que muitas iniciativas tenham restado fraturadas. Esse \u00e9 o quadro de agora, em que a cena slam da capital come\u00e7a outra vez a fazer barulho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO slam est\u00e1 crescendo rapidamente no mundo e ganhando mais adeptos a cada ano. Esse fen\u00f4meno tem grande impacto na cena cultural local, bem como na cena nacional e mundial\u201d, afirmam Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira em seu livro. \u201cOs artistas de Belo Horizonte e da Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte s\u00e3o grandes competidores no cen\u00e1rio mundial e grandes poetas no campo da literatura marginal\u201d, demarcam. \u201cSlammers belo-horizontinos j\u00e1 chegaram, mais de uma vez, at\u00e9 a semifinal (etapa nacional) e \u00e0 grande final (etapa mundial) do jogo.\u201d<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/12\/Cartazes-todos2-1-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Cartazes do &#039;Grand Poetry Slam&#039;, a &#039;Copa do Mundo&#039; do Slam, realizada anualmente na Fran\u00e7a\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Cartazes do 'Grand Poetry Slam', a 'Copa do Mundo' do Slam, realizada anualmente na Fran\u00e7a\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tCartazes do &#8216;Grand Poetry Slam&#8217;, a &#8216;Copa do Mundo&#8217; do Slam, realizada anualmente na Fran\u00e7a\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tImagem: Reprodu\u00e7\u00e3o de cartazes\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Terra de campe\u00f5es<\/strong><br>Por meio dessa declara\u00e7\u00e3o, Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira referem-se notadamente a Jo\u00e3o Paiva e Pieta Poeta, vencedores do Slam BR em 2014 e 2018, respectivamente. S\u00e3o os dois grandes campe\u00f5es mineiros da disputa nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s vencer a competi\u00e7\u00e3o de 2014, o belo-horizontino Jo\u00e3o Paiva participou, no ano seguinte, do <a href=\"https:\/\/grandpoetryslam.com\/\">Grand Poetry Slam<\/a>, na Fran\u00e7a. \u201cFoi uma experi\u00eancia \u00fanica. Conheci pessoas de lugares que eu nem sabia que existia\u201d, <a href=\"https:\/\/jornalocasarao.wordpress.com\/2015\/10\/31\/tudo-cabe-no-slam-poetry-a-palavra-e-o-corpo-unidos-na-performance\/\">comentou o slammer na \u00e9poca<\/a>. Naquele ano, em entrevista ao Jornal Hoje em Dia, <a href=\"https:\/\/www.hojeemdia.com.br\/entretenimento\/falo-de-coisas-que-me-incomodam-e-o-jo-o-sendo-o-jo-o-1.330555\">Jo\u00e3o Paiva tamb\u00e9m discorria sobre a cena slammer da cidade<\/a>. \u201cEm Belo Horizonte, a maior parte do p\u00fablico do slam \u00e9 de jovens da periferia. Os poemas geralmente t\u00eam uma carga pol\u00edtica e engajada, isso atrai um p\u00fablico que se identifica com essa mensagem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, as diferentes pesquisas que tratam do tema demonstram que o p\u00fablico dos slams \u00e9 predominantemente jovem, negro (preto e pardo), oriundo de periferias e tem entre 15 e 25 anos, sendo estudante ou egresso do ensino m\u00e9dio. Nessa seara, vale mencionar que boa parte dessas pesquisas, sen\u00e3o sua totalidade, foi feita por investigadores participantes, isto \u00e9, pesquisadores de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o que integravam e seguem integrando os movimentos de slam que buscavam compreender. Nesse sentido, s\u00e3o fruto da recente abertura ocorrida da universidade p\u00fablica brasileira a um perfil de estudante mais pobre e negro, egresso de escolas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00e9 o caso, por exemplo, do mineiro Pieta Poeta, <a href=\"https:\/\/ponte.org\/de-minas-gerais-para-a-franca-pieta-poeta-e-a-campea-do-slam-br-2018\/\">vencedor da edi\u00e7\u00e3o 2018 do Slam BR<\/a>. No ano seguinte, assim como Jo\u00e3o Paiva, Pieta tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/minas-gerais\/noticia\/2019\/05\/28\/poeta-de-belo-horizonte-representa-o-brasil-na-copa-do-mundo-de-poesia-na-franca.ghtml\">representou o Brasil na copa do mundo de Slam, na Fran\u00e7a<\/a> \u2013 na ocasi\u00e3o, conquistou o quarto lugar geral na competi\u00e7\u00e3o. No mesmo ano, o poeta \u2013 que \u00e9 um homem trans, negro e perif\u00e9rico \u2013 foi convidado a se apresentar no primeiro slam realizado no \u00e2mbito da programa\u00e7\u00e3o oficial da Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty. Era um primeiro movimento \u2013 sem muitos desdobramentos posteriores \u2013 de tentativa de incorpora\u00e7\u00e3o da cena slam pelo circuito <em>mainstream<\/em> de cultura liter\u00e1ria nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O slam e o feminismo<\/strong><br>Menos hostis ao p\u00fablico feminino, os slams tamb\u00e9m parecem ter emergido em Belo Horizonte como um contraponto, em alguma medida, \u00e0 \u201cfalta de representatividade das mulheres nas batalhas de rap\u201d que j\u00e1 ocorriam na cidade. \u201cEra inquestion\u00e1vel que as mulheres n\u00e3o eram t\u00e3o bem recebidas nestes espa\u00e7os quanto os homens, e frequentemente as disputas giravam em torno de rimas mis\u00f3ginas\u201d, anota Sthefanie Magalh\u00e3es Castro Paiva na disserta\u00e7\u00e3o <em>A performatividade das poetas no espa\u00e7o p\u00fablico: aspectos pol\u00edticos da participa\u00e7\u00e3o de mulheres nos slams<\/em>, defendida no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em especial, ela menciona a import\u00e2ncia do advento do Slam das Manas, criado em 2016, no qual apenas mulheres podem batalhar, ainda que homens possam participar do evento em outras fun\u00e7\u00f5es, como plateia e\/ou jurados. O tema tamb\u00e9m \u00e9 investigado por Bruna St\u00e9phane Oliveira Mendes da Silva na tese <em>A voz e a vez das mulheres no slam: poesia, performance e resist\u00eancia<\/em>, defendida em 2024 no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras: Estudos Liter\u00e1rios (P\u00f3s-Lit).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Sthefanie, a entrada das mulheres nesse espa\u00e7o p\u00fablico de di\u00e1logo, possibilitada pelos slams, come\u00e7ou a romper com certa \u201cordem do discurso\u201d predominante no per\u00edodo. \u201cNo espa\u00e7o p\u00fablico f\u00edsico as mulheres j\u00e1 estavam, mesmo que n\u00e3o de forma pol\u00edtica, mas a ocupa\u00e7\u00e3o do discurso n\u00e3o era feita e \u00e9 isso que o slam faz. O rompimento \u00e9 o fato de encontrarem uma escuta e modularem o espa\u00e7o p\u00fablico para al\u00e9m do que \u00e9 f\u00edsico\u201d, anota a pesquisadora em sua disserta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu trabalho, a pesquisadora entrela\u00e7a essa perspectiva feminista com as quest\u00f5es de classe expressas no \u00e2mbito dos slams, sob uma perspectiva da interseccionalidade. \u201c\u00c9 fundamental reconhecer que as experi\u00eancias de desigualdade de g\u00eanero n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneas e que a luta pela igualdade de g\u00eanero est\u00e1 intrinsecamente ligada a outras lutas, como justi\u00e7a racial e econ\u00f4mica\u201d, registra Sthefanie em seu trabalho.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/12\/Sarau-das-manas-640x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Registros de apresenta\u00e7\u00f5es do Slam das Manas\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Registros de apresenta\u00e7\u00f5es do Slam das Manas\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tRegistros de apresenta\u00e7\u00f5es do Slam das Manas\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFotos: Instagram Slam das Manas | Reprodu\u00e7\u00e3o\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Batalhas po\u00e9ticas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Frequentados sobretudo pela popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o acad\u00eamica, os slams s\u00e3o competi\u00e7\u00f5es de poesia falada que ocorrem em molde semelhante ao das batalhas de hip-hop, mas com regras pr\u00f3prias. No slam, os poetas n\u00e3o competem em duelos, propriamente, mas, sim, em uma competi\u00e7\u00e3o geral, em que cada poeta recita separadamente seus versos autorais e recebe notas da plateia. Os que recebem as melhores notas v\u00e3o avan\u00e7ando na disputa, at\u00e9 que se chegue ao &#8220;slammer&#8221; (nome dado aos competidores) vencedor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em Poesia Slam?\" width=\"540\" height=\"960\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wlI5mXfg7xk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No slam, essa escolha dos vencedores \u00e9 feita pelo p\u00fablico presente, popular e volunt\u00e1rio, via cartazes com notas; pessoas s\u00e3o selecionadas em meio ao p\u00fablico para atuarem como jurados. Eventualmente, a classifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ocorrer por aclama\u00e7\u00e3o. Em algumas disputas, As batalhas v\u00e3o avan\u00e7ando no formato de eliminat\u00f3rias (em cada rodada, o slammer precisa recitar um poema diferente, sem se repetir), at\u00e9 que se chegue ao grande vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como regra, as performances individuais t\u00eam de durar no m\u00e1ximo tr\u00eas minutos. Nelas, \u00e9 vetado o uso de adere\u00e7os c\u00eanicos, figurinos ou acompanhamento musical, seja ao vivo ou gravado; o objetivo \u00e9 que o foco recaia integralmente sobre o texto e sobre a apresenta\u00e7\u00e3o que \u00e9 feita dele pelos poetas, que costumam empregar bastante \u00eanfase em suas performances, buscando estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o ativa com o p\u00fablico presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que as poesias recitadas devam ser sempre autorais, eventualmente ocorrem, no \u00e2mbito do movimento slam brasileiro, momentos abertos para a recita\u00e7\u00e3o de cl\u00e1ssicos da literatura publicada em livro nos circuitos <em>mainstream<\/em>, como Carlos Drummond de Andrade, M\u00e1rio de Andrade, Manuel Bandeira. Nesses casos, as apresenta\u00e7\u00f5es tendem a ser n\u00e3o competitivas, apenas de exibi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o realizadas sob a l\u00f3gica do sarau.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Pela ocupa\u00e7\u00e3o da cidade<\/strong><br>Por sua natureza, o movimento slam mant\u00e9m liga\u00e7\u00e3o estreita com a literatura marginal, a performance, a popula\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e a cultura hip-hop \u2013 e tamb\u00e9m com a ideia de uma ocupa\u00e7\u00e3o mais democr\u00e1tica das cidades. Esse aspecto \u00e9 particularmente forte na cena belo-horizontina, que emergiu na esteira de outros movimentos de ocupa\u00e7\u00e3o da cidade, como o Duelo de MCs (surgido em 2007) e o movimento Praia da Esta\u00e7\u00e3o (2010). Sob essa perspectiva, os slams se realizam na capital mineira como espa\u00e7os para o debate, via poesia, de quest\u00f5es prementes da atualidade citadina e social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAs poesias recitadas abordam, majoritariamente, quest\u00f5es cotidianas, experi\u00eancias vivenciadas pelos poetas e pelas comunidades perif\u00e9ricas\u201d, explicam Theresa Ciolete e Luiz Henrique Oliveira em seu guia. \u201cTrazem principalmente temas pol\u00edticos, hist\u00f3ricos e sociais, retratando as v\u00e1rias realidades presentes na cidade e fomentando a reflex\u00e3o cr\u00edtica.\u201d Nesse sentido, o slam \u00e9 em Belo Horizonte um \u201cespa\u00e7o de representatividade dos grupos historicamente silenciados\u201d e \u201cde reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o, luta e organiza\u00e7\u00e3o coletiva\u201d.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/12\/999adffab5-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Capa do livro &#039;Atlas dos saraus da RMBH&#039;, de Camila F\u00e9lix\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"'Atlas dos saraus da RMBH', de Camila F\u00e9lix\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\t&#8216;Atlas dos saraus da RMBH&#8217;, de Camila F\u00e9lix\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tImagem: Reprodu\u00e7\u00e3o de capa\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De car\u00e1ter predominantemente urbano, o movimento tem como origem \u201coficial\u201d encontros para a leitura de poesias realizados em bares e teatros de Chicago, nos EUA, na d\u00e9cada de 1980. No Brasil, o movimento entrou via S\u00e3o Paulo \u2013 hoje a principal cena nacional do movimento \u2013 no in\u00edcio dos anos 2000, e a partir da\u00ed passou a ser praticado em espa\u00e7os p\u00fablicos urbanos de diferentes localidades \u2013 al\u00e9m de Minas Gerais, h\u00e1 cenas j\u00e1 relativamente fortes no Rio de Janeiro e em estados como Cear\u00e1, Pernambuco e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe um circuito oficial de competi\u00e7\u00e3o que se organiza em etapas municipal, estadual, nacional e mundial. A etapa nacional \u00e9 chamada de Slam BR \u2013 Campeonato Brasileiro de Poesia Falada. Ocorre pelo menos desde 2014. J\u00e1 a final mundial da competi\u00e7\u00e3o, denominada Grand Poetry Slam (eventualmente, tamb\u00e9m de \u201ccoupe du monde\u201d, copa do mundo) acontece anualmente na Fran\u00e7a e com regras espec\u00edficas, como a forma\u00e7\u00e3o pontual de corpo de jurados entre o p\u00fablico. A primeira edi\u00e7\u00e3o do torneiro mundial ocorreu em 2004. Foi essa a competi\u00e7\u00e3o de que participaram Jo\u00e3o Paiva e Pieta Poeta, representando Belo Horizonte.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pesquisas sobre o tema realizadas na UFMG<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tese<\/strong>: <em>Uma cidade se reinventa: deambula\u00e7\u00f5es, poesias de periferia e disputas de sentido em Belo Horizonte<\/em><br><strong>Autora<\/strong>: Prussiana Araujo Fernandes Cunha<br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o, da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas<br><strong>Orientador<\/strong>: Elton Antunes<br><strong>Defesa<\/strong>: 18\/12\/2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tese<\/strong>: <em>A voz e a vez das mulheres no slam: poesia, performance e resist\u00eancia<\/em><br><strong>Autora: <\/strong><em>Bruna St\u00e9phane Oliveira Mendes da Silva<\/em><br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras: Estudos Liter\u00e1rios, da Faculdade de Letras<br><strong>Orientadora<\/strong>: Elisa Maria Amorim Vieira<br><strong>Defesa<\/strong>: 22\/11\/2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disserta\u00e7\u00e3o<\/strong>: <em>A performatividade das poetas no espa\u00e7o p\u00fablico: aspectos pol\u00edticos da participa\u00e7\u00e3o de mulheres nos slams<\/em><br><strong>Autora<\/strong>: Sthefanie Magalh\u00e3es Castro Paiva<br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o Social, da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas<br><strong>Orientadora<\/strong>: Regiane Lucas de Oliveira Garcez<br><strong>Defesa<\/strong>: 26\/8\/2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tese<\/strong>: <em>As afrografias e suas resson\u00e2ncias nas performances de poesia falada no slam<\/em><br><strong>Autor<\/strong>: Rog\u00e9rio Meira Coelho<br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Letras: Estudos Liter\u00e1rios, da Faculdade de Letras<br><strong>Orientador<\/strong>: Marcos Ant\u00f4nio Alexandre<br><strong>Defesa<\/strong>: 31\/8\/2023<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disserta\u00e7\u00e3o<\/strong>: <em>Um percurso de mem\u00f3ria: os rastros do Cura Circuito de Arte Urbana e do slam Clube da Luta na plataforma Instagram<\/em><br><strong>Autora<\/strong>: Eliza Caetano Alves<br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes, da Escola de Belas Artes<br><strong>Orientador<\/strong>: Carlos Henrique Rezende Falci<br>Defesa: 28\/10\/2021<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disserta\u00e7\u00e3o<\/strong>: <em>A palavra \u00e9 sua!: os jovens e os saraus marginais em Belo Horizonte<\/em><br><strong>Autor<\/strong>: Lucas Oliveira Sep\u00falveda<br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o: Conhecimento e Inclus\u00e3o Social, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o<br><strong>Orientador<\/strong>: Juarez Tarc\u00edsio Dayrell<br><strong>Defesa<\/strong>: 19\/6\/2017<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Disserta\u00e7\u00e3o<\/strong>: <em>A palavra\u00e7\u00e3o: atos pol\u00edtico-perform\u00e1ticos no Coletivoz Sarau de Periferia e Poetry Slam Clube da Luta<\/em><br><strong>Autor<\/strong>: Rog\u00e9rio Meira Coelho<br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes, da Escola de Belas Artes<br><strong>Orientador<\/strong>: Maurilio Andrade Rocha<br><strong>Defesa<\/strong>: 31\/3\/2017<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tese<\/strong>: <em>Entre a luta, a voz e a palavra: partilhas de sentido em torno de um sarau de periferia<\/em><br><strong>Autor<\/strong>: Otacilio de Oliveira Junior<br>Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia, da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas<br><strong>Orientador<\/strong>: Marco Aur\u00e9lio M\u00e1ximo Prado<br><strong>Defesa<\/strong>: 31\/8\/2016<\/p>\n","protected":false},"featured_media":15190,"template":"","class_list":["post-15189","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/15189","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15190"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15189"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}