{"id":15706,"date":"2025-12-19T14:30:00","date_gmt":"2025-12-19T17:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=15706"},"modified":"2025-12-19T12:45:17","modified_gmt":"2025-12-19T15:45:17","slug":"em-sintonia-com-a-loucura-e-o-afeto","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/saude\/em-sintonia-com-a-loucura-e-o-afeto\/","title":{"rendered":"Loucura e afeto em sintonia"},"content":{"rendered":"\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em todo o mundo, mais de um&nbsp;1&nbsp;bilh\u00e3o de pessoas est\u00e3o em sofrimento mental, em especial, vivendo com o transtorno de ansiedade ou com o transtorno depressivo, de acordo com relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), com dados referentes a 2024. Tamb\u00e9m segundo a OMS, o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds com a maior incid\u00eancia de pessoas ansiosas. Levantamento recente do Instituto&nbsp;Ipsos, especializado em opini\u00e3o p\u00fablica, corrobora os n\u00fameros da Organiza\u00e7\u00e3o: 52% da popula\u00e7\u00e3o brasileira acredita ser a sa\u00fade mental o maior problema de sa\u00fade do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tr\u00e1s dos n\u00fameros alarmantes, est\u00e3o pessoas que sofrem, diariamente, impactos dos transtornos mentais no corpo e nas rela\u00e7\u00f5es sociais. A pr\u00f3pria OMS define o transtorno mental como sofrimento ps\u00edquico que afeta, consideravelmente, os principais aspectos da vida de uma pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um sofrimento adicional \u00e9 a chamada&nbsp;psicofobia, o preconceito contra pessoas que vivenciam quest\u00f5es de sa\u00fade mental: s\u00e3o desacreditadas, isoladas e consideradas incapazes de trabalhar ou de manter v\u00ednculos afetivos. As dificuldades foram relatadas por cientistas do campo da terapia ocupacional, da enfermagem, da psicologia, da psiquiatria e do direito,&nbsp;todos&nbsp;pesquisadores em universidades p\u00fablicas brasileiras e ouvidos na nova s\u00e9rie especial do N\u00facleo de Produ\u00e7\u00e3o e Jornalismo da R\u00e1dio UFMG Educativa:&nbsp;<em>Loucas sintonias, lutas e lugares de afeto a pessoas com transtornos mentais<\/em>, dividida em tr\u00eas epis\u00f3dios.<\/p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ci\u00eancia em defesa das pessoas com transtornos mentais<\/strong><br>Em um passado recente, pessoas com transtornos mentais eram totalmente afastadas do conv\u00edvio social e presas em espa\u00e7os, como penitenci\u00e1rias, igrejas, cemit\u00e9rios, e pr\u00e9dios p\u00fablicos antigos, em um processo conhecido como institucionaliza\u00e7\u00e3o da loucura, termo ancorado nas pesquisas desenvolvidas pelo fil\u00f3sofo e historiador Michel Foucault.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 inspirado no programa Louca Sintonia, veiculado pela Esta\u00e7\u00e3o do Conhecimento h\u00e1 10 anos. Na atra\u00e7\u00e3o, que \u00e9 fruto da pesquisa de doutorado da professora Regina Celi, do Departamento de Terapia Ocupacional da UFMG, pessoas com transtornos mentais subvertem a ideia de loucura, se apropriam do termo&nbsp;pejorativo &#8220;loucos\u201d e debatem diversos problemas sociais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEu atuava h\u00e1 cerca de 30 anos na \u00e1rea da sa\u00fade mental e defendia a luta\u00a0antimanicomial, que ganhou for\u00e7a no pa\u00eds ap\u00f3s a Reforma Psiqui\u00e1trica, promulgada pela Lei n\u00ba 10.216 de 2001, conhecida como Lei\u00a0Antimanicomial. Apesar disso, quando comecei a trabalhar com os conviventes do Centro de Conviv\u00eancia S\u00e3o Paulo, em BH,\u00a0um dos centros voltados \u00e0 inser\u00e7\u00e3o social de pessoas com transtornos mentais, por meio de oficinas e artes, percebi\u00a0que, mais do que pessoas chamadas de loucas ou de doentes, s\u00e3o trabalhadoras, s\u00e3o filhas, s\u00e3o m\u00e3es, s\u00e3o artistas, s\u00e3o muito mais do que um diagn\u00f3stico. Foi a pr\u00e1tica das oficinas de R\u00e1dio do Louca Sintonia que mudou essa chave na minha cabe\u00e7a, e hoje n\u00e3o vejo mais quem est\u00e1 ali como doente&#8221;, relata, emocionada, a professora Regina Celi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a hist\u00f3ria come\u00e7ou a mudar com os frutos da luta da psiquiatra alagoana Nise da Silveira, contr\u00e1ria \u00e0s interna\u00e7\u00f5es e mundialmente defensora da arte como forma de tratamento das pessoas em sofrimento mental, sempre em comunidade e sem isolamento. O trabalho de Nise e de outros ativistas desembocou na Lei&nbsp;Antimanicomial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem explica \u00e9 a conterr\u00e2nea de Nise, a tamb\u00e9m alagoana La\u00eds Costa, professora de Enfermagem na Universidade Federal do Alagoas (Ufal). H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, La\u00eds estuda como a sociedade tem deixado de institucionalizar a loucura, internar as pessoas com transtornos mentais e como, de fato, elas s\u00e3o inseridas socialmente. Para a docente, ainda h\u00e1 muito a se avan\u00e7ar, em especial, nas cl\u00ednicas particulares, em que ainda existem interna\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias, diferentemente do que ocorre nos tr\u00eas mil Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Caps), mantidos em todo o pa\u00eds por meio da Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial (Raps) do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os&nbsp;Caps&nbsp;s\u00e3o resultado da Lei&nbsp;Antimanicomial, de 2001, que torna a interna\u00e7\u00e3o a \u00faltima medida a ser adotada, quando extremamente necess\u00e1rio, como em casos em que a pessoa p\u00f5e a a si ou a quem est\u00e1 ao redor em risco concreto. Na Universidade de S\u00e3o Paulo, a USP, a bacharel em direito&nbsp;Emanuele&nbsp;Seicenti&nbsp;de Brito integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Enfermagem, Sa\u00fade Global, Direito e Desenvolvimento,&nbsp;no qual estuda tanto o direito das pessoas com transtornos mentais a n\u00e3o serem discriminadas quanto o direito a n\u00e3o serem internadas contra a pr\u00f3pria vontade. Segundo a cientista, a partir de 2006, devido \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o das Pessoas com Defici\u00eancia das Organiza\u00e7\u00f5es das Na\u00e7\u00f5es Unidas (Onu), ratificada pelo Brasil, portanto, com status constitucional no pa\u00eds, as pessoas com transtornos mentais s\u00e3o equiparadas \u00e0s pessoas com defici\u00eancia e n\u00e3o podem ser discriminadas, o que impede preconceitos e exclus\u00f5es.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O psic\u00f3logo Bruno&nbsp;Emerich, membro do Grupo de Pesquisa Sa\u00fade Mental e Sa\u00fade Coletiva: Interfaces da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos organizadores da obra&nbsp;<em>Sa\u00fade Loucura 10: tessituras da cl\u00ednica &#8211; itiner\u00e1rios da reforma psiqui\u00e1trica<\/em>, afirma que um dos principais problemas contempor\u00e2neos ao se falar em sa\u00fade mental est\u00e1 na individualiza\u00e7\u00e3o do sofrimento. &#8220;A mesma sociedade que produz os contextos e as estruturas sociais&nbsp;adoecedoras culpabiliza&nbsp;a pessoa com transtorno mental como se ela n\u00e3o estivesse inserida em tal sociedade. Mas as viv\u00eancias sempre se d\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es com as outras pessoas&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compartilhando do mesmo pensamento, a psiquiatra e professora Sabrina&nbsp;Stefanello, da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) e integrante do N\u00facleo de Estudos em Sa\u00fade Coletiva, indica outros dois desafios: a&nbsp;patologiza\u00e7\u00e3o&nbsp;da vida, em que todos os comportamentos humanos s\u00e3o nomeados e classificados como transtornos, e a medicaliza\u00e7\u00e3o, em que os transtornos acabam tratados com rem\u00e9dios psiqui\u00e1tricos sem se considerar as individualidades e os contextos sociais. \u201cAs pessoas s\u00e3o mais do que diagn\u00f3sticos, \u00e9 preciso considerar cada pessoa, cada caracter\u00edstica, cada hist\u00f3ria de vida, cada raz\u00e3o de ser e ajudar a pessoa a deixar de sofrer, entendendo qual \u00e9 o sofrimento dela&#8221;, analisa Sabrina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>S\u00e9rie em \u00e1udio<\/strong><br>Na produ\u00e7\u00e3o em \u00e1udio, dividida em tr\u00eas epis\u00f3dios, frequentadores do Centro de Conviv\u00eancia S\u00e3o Paulo definem o que \u00e9 loucura, assim como a cantora mineira Marina&nbsp;Miglio, que, ap\u00f3s ser internado por transtornos mentais, em 2023, se tornou defensora da luta&nbsp;antimanicomial, enquanto especialistas ouvidos pela s\u00e9rie especial apontam caminhos para a sociedade se tornar um lugar de afeto para acolher as &#8220;loucuras\u201d as &#8220;lutas\u201dde&nbsp;quem est\u00e1 em sofrimento mental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ficha t\u00e9cnica<\/strong><br><strong>Produ\u00e7\u00e3o e reportagem:<\/strong>&nbsp;Ruleandson&nbsp;do Carmo e Breno Rodrigues<br><strong>Edi\u00e7\u00e3o de texto e de conte\u00fado<\/strong>:&nbsp;Ruleandson&nbsp;do Carmo<br><strong>Sonoplastia e edi\u00e7\u00e3o de \u00e1udio:<\/strong>&nbsp;Breno Rodrigues<br><strong>Produ\u00e7\u00e3o musical:<\/strong>&nbsp;Rafael Medeiros<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"featured_media":14965,"template":"","class_list":["post-15706","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/15706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14965"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}