{"id":17966,"date":"2026-03-02T18:10:20","date_gmt":"2026-03-02T21:10:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=17966"},"modified":"2026-03-03T19:23:14","modified_gmt":"2026-03-03T22:23:14","slug":"nao-e-que-o-fascismo-tenha-voltado-ele-nunca-foi-embora-afirma-vladimir-safatle-em-aula-magna","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/coberturas-especiais\/nao-e-que-o-fascismo-tenha-voltado-ele-nunca-foi-embora-afirma-vladimir-safatle-em-aula-magna\/","title":{"rendered":"&#8216;N\u00e3o \u00e9 que o fascismo tenha voltado; ele nunca foi embora&#8217;, afirma Vladimir Safatle em aula magna"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O audit\u00f3rio da Reitoria, no campus Pampulha da UFMG, ficou lotado nesta segunda-feira, 2, para a aula magna proferida por Vladimir Safatle. O fil\u00f3sofo e professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) foi o quarto convidado do ciclo de Confer\u00eancias <a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/ufmg-centenaria\/\">UFMG Centen\u00e1ria \u2013 universidade e democracia<\/a>, iniciativa que integra as comemora\u00e7\u00f5es dos 100 anos da Universidade, a serem celebrados em 2027.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Safatle dirigiu-se aos estudantes no primeiro dia do ano letivo de 2026, salientando a import\u00e2ncia de nomear com precis\u00e3o o fascismo que permeia a sociedade contempor\u00e2nea. Sua exposi\u00e7\u00e3o dialogou com seu livro mais recente, <em>A amea\u00e7a interna: psican\u00e1lise dos novos fascismos globais<\/em>. O professor iniciou a aula magna lamentando o fato de vivermos em uma \u00e9poca em que o pensamento cr\u00edtico se encontra sempre um passo atr\u00e1s da cat\u00e1strofe, quando sua fun\u00e7\u00e3o deveria ser a de antecip\u00e1-la, favorecendo a autorreflex\u00e3o da sociedade acerca dos desafios que se colocam no horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o professor, esse atraso na autorreflex\u00e3o favorece a consolida\u00e7\u00e3o de um fascismo de alcance global. Ele recordou que o Brasil foi o pa\u00eds que abrigou o maior partido fascista fora da Europa, a A\u00e7\u00e3o Integralista Brasileira (AIB), que, na d\u00e9cada de 1930, chegou a reunir mais de 1,2 milh\u00e3o de filiados. \u201cEssas pessoas n\u00e3o desapareceram ao longo do tempo; n\u00f3s temos um fascista na nossa \u00e1rvore geneal\u00f3gica. Quando a gente viu, em 2021, o ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro assinar uma carta \u00e0 na\u00e7\u00e3o, afirmando que n\u00e3o daria um golpe, mas escrevendo embaixo \u2018Deus, p\u00e1tria e fam\u00edlia\u2019 (um lema integralista), isso foi a assun\u00e7\u00e3o de um processo hist\u00f3rico que nos \u00e9 constituinte.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele acrescentou que um dos maiores equ\u00edvocos das universidades brasileiras foi ter negligenciado o fato de que o fascismo nacional constitui um eixo central da forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira e representa um risco sempre presente. \u201cVivemos em uma \u00e9poca de mir\u00edade de termos usados por todos os lados para substituir a falavra &#8216;fascismo\u2019, como \u2018conservadorismo\u2019 e \u2018populismo de direita\u2019, por exemplo. Isso acaba criando uma incapacidade de percep\u00e7\u00e3o de certos processos que se repetem no interior da nossa sociedade. N\u00e3o \u00e9 que o fascismo tenha voltado. Na verdade, ele nunca foi embora.&#8221;<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.59.35-336x445.jpeg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Vladimir Saflate ministra aula magna\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Safatle explicou o conceito de fascismo estrutural\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tSafatle explicou o conceito de fascismo estrutural\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Raphaella Dias | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Escolha racional<\/strong><br>Vladimir Safatle explicou que h\u00e1, ao menos, duas formas de compreender o fascismo. A primeira, de car\u00e1ter hist\u00f3rico, circunscreve-o a um processo espec\u00edfico, que n\u00e3o retornaria nos mesmos moldes, uma vez que os contextos social e hist\u00f3rico se transformam. A segunda abordagem \u2013 considerada por ele a mais adequada \u2013 concebe o fascismo como um fen\u00f4meno estrutural, isto \u00e9, como uma tend\u00eancia interna aos pr\u00f3prios processos de moderniza\u00e7\u00e3o social liberal. Nessa perspectiva, o fascismo n\u00e3o seria um desvio irracional nem fruto de impulsos descontrolados, mas uma possibilidade inscrita na din\u00e2mica das sociedades modernas, que ganha for\u00e7a especialmente em contextos de crise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cH\u00e1 um elemento estrutural id\u00eantico naquele fascismo de antes e no de agora. Em ambos os casos, ele tende a se expandir em situa\u00e7\u00f5es de crises estruturais, mas sua forma de viol\u00eancia permanece, em larga medida, na rela\u00e7\u00e3o de nossas sociedades a certos setores da popula\u00e7\u00e3o. Ele aparece nos momentos de crise econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social, demogr\u00e1fica e ecol\u00f3gica. O fascismo se mant\u00e9m por meio dessas crises, porque elas criam uma nova forma de gest\u00e3o da sociedade. Dessa maneira, o fascismo se torna uma escolha racional&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para explicar a escolha racional do regime fascista, Safatle explicou que \u00e9 necess\u00e1rio estar atento \u00e0s formas de viol\u00eancia que permanecem na sociedade ao longo dos anos. Para o professor, a defini\u00e7\u00e3o de fascismo \u00e9 contra uma concep\u00e7\u00e3o taxon\u00f4mica, visto que \u00e9 imposs\u00edvel definir caracter\u00edsticas fixas para o regime.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFen\u00f4menos pol\u00edticos nunca retornam da mesma maneira, mas se adaptam a novos contextos. H\u00e1 fascismos sem expansionismo militar, como o ocorrido na Espanha de Franco, ou sem lideran\u00e7a personalizada, como aquele visto na \u00c1frica do Sul, na \u00e9poca do Apartheid. Essas diferen\u00e7as se manifestam porque o fascismo \u00e9 uma forma de viol\u00eancia que visa reconstruir os la\u00e7os sociais a partir da generaliza\u00e7\u00e3o da dessensibiliza\u00e7\u00e3o e da indiferen\u00e7a como afeto social central.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele acrescentou que a tend\u00eancia de psicologizar comportamentos de extrema direita acaba dificultando o entendimento da escolha racional que culmina no fascismo. \u201cTendemos a achar que o sujeito \u00e9 fascista ou de extrema direita porque tem um d\u00e9ficit cognitivo ou moral. Isso \u00e9 mais uma cren\u00e7a narc\u00edsica para nossa superioridade moral do que uma descri\u00e7\u00e3o daquilo que de fato est\u00e1 acontecendo. Essa explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta do problema central que \u00e9 entender o c\u00e1lculo racional por tr\u00e1s da escolha do fascismo. O esclarecimento nunca foi um anteparo contra a barb\u00e1rie\u201d.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.23.27-8-640x445.jpeg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Vladimir Saflate ministra aula magna\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Safatle: rela\u00e7\u00e3o entre neoliberalismo e fascismo\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tSafatle: rela\u00e7\u00e3o entre neoliberalismo e fascismo\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Raphaella Dias | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O fascismo dessensibiliza<\/strong><br>Para Vladimir Safatle, as universidades, al\u00e9m de desempenharem papel fundamental na compreens\u00e3o e na nomea\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos sociais, contribuem para interpretar o fascismo como um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o da sociedade fundado na dessensibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUma das fun\u00e7\u00f5es do pensamento cr\u00edtico \u00e9 nomear os problemas de forma correta. O fascismo \u00e9 uma forma espec\u00edfica de viol\u00eancia que visa reconstruir os la\u00e7os sociais, \u00e9 a viol\u00eancia como a linguagem da sociedade. Essa viol\u00eancia reconstr\u00f3i a sociedade porque a faz entrar em um regime onde os afetos sociais s\u00e3o a dessensibiliza\u00e7\u00e3o e a indiferen\u00e7a. Isso faz a viol\u00eancia circular de outra forma porque&nbsp; os v\u00ednculos s\u00e3o constru\u00eddos&nbsp; a partir da aus\u00eancia de v\u00ednculos&#8221;, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Safatle acrescentou que o liberalismo e o neoliberalismo tamb\u00e9m devem ser responsabilizados pelo aumento da indiferen\u00e7a e da dessensibiliza\u00e7\u00e3o que afeta as rela\u00e7\u00f5es sociais. \u201cTemos que abandonar a ideia de que o liberalismo est\u00e1 baseado na democracia representativa e na institucionaliza\u00e7\u00e3o da liberdade individual, at\u00e9 porque liberdade individual \u00e9 um termo que n\u00e3o faz sentido. Liberdade n\u00e3o \u00e9 um predicado de indiv\u00edduos: \u00e9 imposs\u00edvel um indiv\u00edduo ser livre em uma sociedade n\u00e3o livre.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O liberalismo, afirmou o fil\u00f3sofo, est\u00e1 assentado no colonialismo e em regimes de gest\u00e3o fascista de popula\u00e7\u00f5es. Essa rela\u00e7\u00e3o se estabelece porque a din\u00e2mica liberal exigiria um processo profundo de dessensibiliza\u00e7\u00e3o social. \u201cAs sociedades que chamamos de democracias liberais s\u00e3o, na verdade, fascismos restritos a certos grupos de pessoas, enquanto as democracias s\u00e3o direcionadas a outros grupos. H\u00e1 uma divis\u00e3o clara entre dois tipos de sujeitos: os que s\u00e3o reconhecidos como \u2018pessoas\u2019 e aqueles que s\u00e3o reconhecidos como \u2018coisa\u2019.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A esse racioc\u00ednio, Safatle acrescentou que o colonialismo tamb\u00e9m est\u00e1 na raiz do fascismo, uma vez que todas as tecnologias de viol\u00eancia associadas a ele teriam sido inicialmente desenvolvidas nos espa\u00e7os coloniais \u2013 primeiros territ\u00f3rios a experimentar genoc\u00eddios, pr\u00e1ticas sistem\u00e1ticas de segrega\u00e7\u00e3o e massacres. \u201cO que \u00e9 a din\u00e2mica de dessensibiliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 a nossa heran\u00e7a colonial? \u00c9 a normaliza\u00e7\u00e3o do direito de massacre. \u00c9 uma pol\u00edtica de Estado que mostra em que regi\u00f5es e contra quais popula\u00e7\u00f5es nossos estados sempre foram fascistas. O colonialismo dessensibiliza. No Brasil, as rela\u00e7\u00f5es coloniais nunca desapareceram.\u201d<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.23.27-9-640x445.jpeg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Vladimir Saflate ministra aula magna\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Safatle falou para uma plateia que lotou o audit\u00f3rio da Reitoria no primeiro dia letivo\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tSafatle falou para uma plateia que lotou o audit\u00f3rio da Reitoria no primeiro dia letivo\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Raphaella Dias | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Crise ps\u00edquica e decomposi\u00e7\u00e3o do corpo social<\/strong><br>No momento final da aula magna, Vladimir Safatle afirmou que, quando as pessoas se percebem aprisionadas em crises estacion\u00e1rias \u2013 que parecem n\u00e3o ter fim \u2013, tendem a deixar de acreditar na exist\u00eancia de for\u00e7as pol\u00edticas capazes de alterar os modos de reprodu\u00e7\u00e3o material da sociedade. Para o fil\u00f3sofo, essa descren\u00e7a no futuro engendra uma crise ps\u00edquica profunda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe as crises s\u00e3o ingovern\u00e1veis, h\u00e1 de se aceitar que n\u00e3o h\u00e1 sociedade para todos. Ent\u00e3o resta salvar uma parte dela e deixar o resto perecer, submet\u00ea-lo \u00e0 mis\u00e9ria, expuls\u00e1-lo da nossa sociedade, deport\u00e1-lo em massa. \u00c9 uma l\u00f3gica de explicita\u00e7\u00e3o da guerra civil, que se torna a forma fundamental do la\u00e7o social. A guerra se torna uma forma paradoxal de estabiliza\u00e7\u00e3o social e \u00e9 uma guerra que n\u00e3o \u00e9 feita para se resolver, mas para permanecer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fun\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o social \u00e9, ent\u00e3o, segundo Safatle, abandonada pelo Estado, o que provoca a implos\u00e3o das estruturas de solidariedade que articulam a vida coletiva. Esse processo \u00e9 por ele denominado \u201cera de crise ps\u00edquica produzida pelo neoliberalismo\u201d, uma vez que a centralidade conferida \u00e0 identidade individual neoliberal cria condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0s din\u00e2micas fascistas contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA guerra se torna elemento constituinte dos Estados na\u00e7\u00f5es, com expansionismo militar e seu suprematismo necess\u00e1rio. A decomposi\u00e7\u00e3o neoliberal do corpo social significou a implos\u00e3o de todas as estruturas de solidariedade. A \u00fanica linguagem que passa a existir \u00e9 a da \u2018racionalidade econ\u00f4mica\u2019. O cidad\u00e3o passa a se auto avaliar por desempenho, <em>performances <\/em>e rendimento. Deixa de existir essa \u2018coisa de sociedade\u2019. H\u00e1, ent\u00e3o, um aumento exponencial do sofrimento ps\u00edquico como saldo normal de nossos processos de socializa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Safatle concluiu que a din\u00e2mica fascista encontra no neoliberalismo suas condi\u00e7\u00f5es ideais de desenvolvimento \u201cporque o neoliberalismo necessita da despolitiza\u00e7\u00e3o da sociedade para impor a sua no\u00e7\u00e3o de liberdade como livre iniciativa e propriedade de si. Essa despolitiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser violenta, ent\u00e3o \u00e9 por isso que as suas aplica\u00e7\u00f5es sempre foram atrav\u00e9s da l\u00f3gica da guerra civil, seja por meio dos golpes militares, seja atrav\u00e9s da criminaliza\u00e7\u00e3o do conflito social.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor exemplificou a crise ps\u00edquica com o aumento do n\u00famero de pessoas com diagn\u00f3sticos de depress\u00e3o, estresse e ansiedade no Brasil. \u201cHoje, 28% da popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre com esses problemas. Ao decompor o corpo social, voc\u00ea responsabiliza o \u2018eu\u2019, aumentando os casos de&nbsp;sofrimento ps\u00edquico. Esse&nbsp; sofrimento \u00e9 a express\u00e3o dos dilemas sociais atuais&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.23.27-6-336x445.jpeg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"Capas dos volumes 1 e 2 da cole\u00e7\u00e3o O Centen\u00e1rio da UFMG\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Obras foram lan\u00e7adas na cerim\u00f4nia de hoje\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tObras foram lan\u00e7adas na cerim\u00f4nia de hoje\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Raphaella Dias | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Lan\u00e7amento dos volumes 1 e 2 da cole\u00e7\u00e3o <em>O Centen\u00e1rio da UFMG<\/em><\/strong><br>Al\u00e9m da aula magna de Vladimir Safatle, o ciclo de Confer\u00eancias <a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/ufmg-centenaria\/\">UFMG Centen\u00e1ria \u2013 universidade e democracia<\/a> contou com o lan\u00e7amento dos volumes 1 e 2 da cole\u00e7\u00e3o <em>O Centen\u00e1rio da UFMG<\/em>, de autoria do professor Jo\u00e3o Antonio de Paula, do Departamento de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas da Universidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra, publicada pela Editora UFMG, \u201cre\u00fane registros hist\u00f3ricos que ajudam a compreender a complexidade e a grandeza da Universidade, al\u00e9m de evidenciar a for\u00e7a humana e coletiva que sustenta a institui\u00e7\u00e3o desde a sua funda\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a reitora Sandra Regina Goulart Almeida, na apresenta\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O momento tamb\u00e9m foi marcado por uma homenagem ao professor Jo\u00e3o Antonio de Paula, que completou 50 anos de doc\u00eancia e acaba de se aposentar da Universidade. Segundo a reitora, trata-se do reconhecimento de sua contribui\u00e7\u00e3o para celebra\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e da hist\u00f3ria da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/comunicacao\/noticias\/institucional\/em-quatro-volumes-joao-antonio-de-paula-passa-a-limpo-a-historia-da-ufmg\/\">As obras lan\u00e7adas nesta manh\u00e3 foram tema de reportagem publicada no Portal UFMG.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2026\/03\/WhatsApp-Image-2026-03-02-at-14.23.27-4-640x445.jpeg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"A reitora Sandra Regina Goulart Almeida, o professor Jo\u00e3o Antonio de Paula e o vice-reitor Alessandro Fernandes Moreira durante o lan\u00e7amento dos volumes 1 e 2 da Cole\u00e7\u00e3o O Centen\u00e1rio da UFMG\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Sandra Goulart Almeida e Alessandro Fernandes Moreira homenagearam o professor Jo\u00e3o Antonio de Paula\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tSandra Goulart Almeida e Alessandro Fernandes Moreira homenagearam o professor Jo\u00e3o Antonio de Paula\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Raphaella Dias | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n<section class=\"space-y-1 lg:px-8\">\n  <h3 class=\"text-lg font-semibold\">\n    Not\u00edcias relacionadas:\n  <\/h3>\n      <a class=\"flex gap-2 items-center text-[1.25rem]\" href=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/institucional\/em-quatro-volumes-joao-antonio-de-paula-passa-a-limpo-a-historia-da-ufmg\/\">\n      <i class=\"ti ti-corner-down-right\"><\/i>\n      <div class=\"pt-[0.4375rem]\">\n        <h4 class=\"text-lg font-normal text-neutral-500 line-clamp-2\">\n          <span class=\"text-primary-300 text-sm uppercase\">\n            Institucional          <\/span>\n          Em quatro volumes, Jo\u00e3o Antonio de Paula passa a limpo a hist\u00f3ria da UFMG        <\/h4>\n        <p class=\"text-sm text-neutral-300 line-clamp-2\">\n          Nesta segunda-feira, 2, \u00e0s 10h, ser\u00e3o lan\u00e7ados, no audit\u00f3rio da Reitoria, os volumes 1 e 2 (de um total de 4) da cole\u00e7\u00e3o O centen\u00e1rio da UFMG: 1927-2027, escrita pelo professor da Faculdade de Ci\u00eancias Econ\u00f4micas (Face) Jo\u00e3o Antonio de Paula e publicada pela Editora UFMG. Os volumes \u201cre\u00fanem registros hist\u00f3ricos que ajudam a compreender [&hellip;]        <\/p>\n      <\/div>\n    <\/a>\n      <a class=\"flex gap-2 items-center text-[1.25rem]\" href=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/coberturas-especiais\/a-vida-nao-e-camara-de-eco-e-dissonancia-diz-leonardo-sakamoto-em-defesa-da-divergencia\/\">\n      <i class=\"ti ti-corner-down-right\"><\/i>\n      <div class=\"pt-[0.4375rem]\">\n        <h4 class=\"text-lg font-normal text-neutral-500 line-clamp-2\">\n          <span class=\"text-primary-300 text-sm uppercase\">\n            Coberturas especiais          <\/span>\n          &#8220;A vida n\u00e3o \u00e9 c\u00e2mara de eco, \u00e9 disson\u00e2ncia&#8221;, diz Leonardo Sakamoto, em defesa da diverg\u00eancia        <\/h4>\n        <p class=\"text-sm text-neutral-300 line-clamp-2\">\n          Na noite de ter\u00e7a-feira, dia 25, o jornalista Leonardo Sakamoto ministrou a palestra Falta amor no mundo, mas tamb\u00e9m interpreta\u00e7\u00e3o de texto \u2013 redes, di\u00e1logo e direitos humanos no Brasil hoje. A palestra, que integrou o Ciclo de Confer\u00eancias UFMG Centen\u00e1ria \u2013 Universidade e Democracia, lotou o audit\u00f3rio da Reitoria, no campus Pampulha. Depois da [&hellip;]        <\/p>\n      <\/div>\n    <\/a>\n  <\/section>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"featured_media":17970,"template":"","class_list":["post-17966","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/17966","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17970"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}