{"id":19214,"date":"2026-03-26T08:29:25","date_gmt":"2026-03-26T11:29:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=19214"},"modified":"2026-03-26T17:22:50","modified_gmt":"2026-03-26T20:22:50","slug":"a-faixa-que-ecoa-um-velho-problema","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/opiniao\/a-faixa-que-ecoa-um-velho-problema\/","title":{"rendered":"A faixa que ecoa um velho problema"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O semestre letivo finalmente come\u00e7ou depois de uma longa pausa, per\u00edodo em que estudantes e professores puderam descansar e se preparar para o rein\u00edcio das atividades acad\u00eamicas. Embora eu tenha passado essas semanas bastante ocupado com leituras e com o preparo de uma nova disciplina, confesso que j\u00e1 estava ansioso por ver a vida retornar ao campus. J\u00e1 na primeira semana de aulas, o ambiente universit\u00e1rio rapidamente recuperou seu estado quase m\u00e1gico. Jovens voltaram a ocupar todos os espa\u00e7os: corredores, jardins, cantinas. Muitos deles eram calouros, ainda encantados com o fato de terem ingressado em uma das melhores universidades do pa\u00eds. Embora o trote tenha h\u00e1 muito deixado de ser pr\u00e1tica dominante, ainda era poss\u00edvel ver alguns estudantes com os corpos pintados caminhando de um lado para outro, em meio \u00e0 anima\u00e7\u00e3o t\u00edpica dos primeiros dias de aula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse clima que entrei no pr\u00e9dio do ICEx para ministrar minha primeira aula do ano. Logo na entrada, por\u00e9m, algo chamou minha aten\u00e7\u00e3o. Estendida sobre a passagem principal havia uma enorme faixa. Em letras garrafais, pintadas em vermelho vivo, lia-se PELO FIM DAS REPROVA\u00c7\u00d5ES EM MASSA. Li a frase rapidamente e continuei caminhando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sala de aula, onde me aguardava uma turma de calouros. A aula transcorreu normalmente, como tantas outras que j\u00e1 havia ministrado ao longo da vida. Ainda assim, enquanto falava aos estudantes sobre os primeiros conceitos da disciplina, a imagem daquela faixa insistia em retornar \u00e0 minha mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao terminar a aula e deixar o pr\u00e9dio algum tempo depois, voltei a passar pelo mesmo local. A faixa continuava ali, silenciosa, estendida no centro do edif\u00edcio, como se interpelasse todos os que entravam ou sa\u00edam. Quem teria colocado aquela faixa ali? Teria sido o centro acad\u00eamico, em defesa das centenas de estudantes que, semestre ap\u00f3s semestre, acabam reprovados em disciplinas de matem\u00e1tica, f\u00edsica ou qu\u00edmica? Teria sido iniciativa de algum coletivo estudantil? Ou, quem sabe, de algum professor inconformado com um problema que atravessa d\u00e9cadas? Certamente \u00e9 poss\u00edvel imaginar muitas motiva\u00e7\u00f5es para aquele gesto. Mas o fato \u00e9 que aquela frase n\u00e3o me parecia apenas um protesto circunstancial. Parecia tocar em uma quest\u00e3o antiga da vida universit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde os meus tempos de calouro, ainda na d\u00e9cada de 1970, disciplinas b\u00e1sicas como c\u00e1lculo, f\u00edsica, qu\u00edmica e biologia j\u00e1 apresentavam \u00edndices elevados de reprova\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca, eu era estudante da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV), institui\u00e7\u00e3o na qual mais tarde tamb\u00e9m viria a lecionar por quase 30 anos. Ao longo desse per\u00edodo, pude observar que o fen\u00f4meno n\u00e3o era exclusivo daquela universidade. Situa\u00e7\u00e3o semelhante ocorria \u2013 e ainda ocorre \u2013 em praticamente todas as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior que conhe\u00e7o. Ao recordar esses anos todos, percebo que a faixa que encontrei naquela manh\u00e3 talvez n\u00e3o estivesse referindo-se apenas a um problema recente ou localizado. De certa forma, ela parecia ecoar uma inquieta\u00e7\u00e3o que acompanha a universidade brasileira h\u00e1 muitas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo desse tempo, muitas teses e estudos foram realizados na tentativa de compreender por que disciplinas fundamentais para a forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica acabam reprovando tantos estudantes. N\u00e3o pretendo entrar aqui em uma discuss\u00e3o acad\u00eamica sobre o tema. Limito-me a compartilhar minha vis\u00e3o pessoal, constru\u00edda n\u00e3o a partir de estat\u00edsticas ou modelos te\u00f3ricos, mas de uma vida de quase cinco d\u00e9cadas vividas praticamente de forma integral dentro da universidade brasileira, somadas \u00e0 experi\u00eancia que tive em institui\u00e7\u00f5es estrangeiras.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A avalia\u00e7\u00e3o mal elaborada [pelo professor], eu diria, \u00e9 frequentemente o verdadeiro calcanhar de Aquiles desse processo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reprova\u00e7\u00e3o \u00e9, em grande medida, resultado do processo de intera\u00e7\u00e3o que ocorre entre dois agentes centrais: professor e aluno. O professor exerce um papel fundamental no processo de ensino-aprendizagem. Cabe a ele orientar e guiar o estudante, apresentar o conte\u00fado de forma sistem\u00e1tica e organizada, indicar a bibliografia pertinente, propor atividades que favore\u00e7am a compreens\u00e3o dos conceitos e conduzir as aulas com clareza e dinamismo, procurando empregar metodologias pedag\u00f3gicas que facilitem o processo de aprendizagem e que levem em considera\u00e7\u00e3o os diferentes estilos cognitivos presentes em uma sala de aula.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um aspecto particularmente sens\u00edvel nesse processo \u2013 e que se relaciona diretamente com os \u00edndices de reprova\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 a forma como as avalia\u00e7\u00f5es s\u00e3o elaboradas. Uma prova mal constru\u00edda pode levar um estudante ao fracasso mesmo quando ele possui dom\u00ednio razo\u00e1vel da mat\u00e9ria. Ao longo de mais de quatro d\u00e9cadas de ensino tive contato com professores que elaboravam quest\u00f5es confusas, mal formuladas e sem l\u00f3gica interna, reflexo muitas vezes de sua pr\u00f3pria confus\u00e3o conceitual. N\u00e3o raramente eram incapazes de resolver ou interpretar com clareza as pr\u00f3prias quest\u00f5es que propunham aos alunos. Imagine-se, ent\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o do estudante. A avalia\u00e7\u00e3o mal elaborada, eu diria, \u00e9 frequentemente o verdadeiro calcanhar de Aquiles desse processo.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O essencial \u00e9 reconhecer que, em uma sala com 30 ou 50 estudantes, a diversidade de modos de aprender \u00e9 inevit\u00e1vel, e a ado\u00e7\u00e3o r\u00edgida de um \u00fanico m\u00e9todo de ensino tende a produzir inevit\u00e1veis desencontros entre quem ensina e quem aprende.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem, naturalmente, diversas correntes pedag\u00f3gicas que podem orientar o trabalho docente. Pessoalmente, tenho grande simpatia pelas ideias do professor norte-americano Richard Felder, engenheiro qu\u00edmico amplamente reconhecido por suas contribui\u00e7\u00f5es ao ensino de engenharia, e da professora Rebecca Brent, especialista em educa\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s d\u00e9cadas de experi\u00eancia no ensino superior, Felder e Brent observaram que os estudantes diferem significativamente nas formas como percebem, processam e organizam o conhecimento. Alguns aprendem melhor participando ativamente de discuss\u00f5es ou resolvendo problemas em grupo, os chamados aprendizes ativos; outros preferem refletir individualmente antes de se engajar em qualquer atividade, caracterizando-se como aprendizes reflexivos. Alguns avan\u00e7am passo a passo, seguindo uma sequ\u00eancia l\u00f3gica e progressiva, enquanto outros precisam inicialmente compreender o panorama do assunto para ent\u00e3o assimilar seus detalhes. Segundo esses autores, quando o ensino se apoia excessivamente em apenas um desses modos \u2013 muitas vezes refletindo o pr\u00f3prio estilo cognitivo do professor \u2013 parte dos estudantes acaba tendo sua aprendizagem prejudicada, n\u00e3o por falta de capacidade, mas por um descompasso entre a forma de ensinar e a forma de aprender. Por essa raz\u00e3o, recomendam que o professor diversifique suas estrat\u00e9gias pedag\u00f3gicas, alternando momentos de exposi\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o individual, discuss\u00e3o em grupo, exemplos visuais e aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, de modo a oferecer oportunidades de aprendizagem que alcancem diferentes perfis de estudantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considero que essa abordagem pode contribuir significativamente para reduzir os \u00edndices de reprova\u00e7\u00e3o \u2013 e mais importante ainda  \u2013  para ampliar a qualidade da aprendizagem. Evidentemente, existem outras perspectivas pedag\u00f3gicas igualmente respeit\u00e1veis, e cabe a cada professor escolher aquela com a qual melhor se identifica. O essencial \u00e9 reconhecer que, em uma sala com 30 ou 50 estudantes, a diversidade de modos de aprender \u00e9 inevit\u00e1vel, e a ado\u00e7\u00e3o r\u00edgida de um \u00fanico m\u00e9todo de ensino tende a produzir inevit\u00e1veis desencontros entre quem ensina e quem aprende.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos aspectos pedag\u00f3gicos propriamente ditos, \u00e9 importante lembrar que lidamos com pessoas reais, seres humanos, e n\u00e3o apenas com n\u00fameros de matr\u00edcula em um di\u00e1rio de classe. Quando o professor passa a enxergar seus estudantes apenas como registros burocr\u00e1ticos e executa sua tarefa de maneira mec\u00e2nica, ano ap\u00f3s ano, sem perceber a dimens\u00e3o humana e muitas vezes emocional que atravessa a vida universit\u00e1ria, o desfecho desse processo torna-se previs\u00edvel. N\u00e3o defendo, evidentemente, que o professor assuma o papel de assistente social ou de psic\u00f3logo. Defendo apenas que haja humanidade no exerc\u00edcio da doc\u00eancia, que se acolham os estudantes em seus momentos de dificuldade e que se procure agir com bom senso e flexibilidade diante de situa\u00e7\u00f5es reais que fazem parte da vida de qualquer pessoa. Muitas vezes, um pouco de compreens\u00e3o e di\u00e1logo s\u00e3o suficientes para que um estudante supere obst\u00e1culos moment\u00e2neos e consiga retomar o caminho da aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas seria um equ\u00edvoco atribuir ao professor toda a responsabilidade por esse processo. A aprendizagem n\u00e3o \u00e9 algo que possa ser simplesmente transferido de uma mente para outra; ela depende, em \u00faltima inst\u00e2ncia, do esfor\u00e7o individual do estudante. O aluno precisa, antes de tudo, estar convencido da escolha que fez. N\u00e3o s\u00e3o poucos os casos de estudantes que fracassam simplesmente porque descobriram, tarde demais, que o curso escolhido n\u00e3o corresponde \u00e0s suas verdadeiras aptid\u00f5es ou interesses. Em muitos desses casos, a reprova\u00e7\u00e3o n\u00e3o decorre de falta de intelig\u00eancia, mas de uma profunda falta de sintonia entre o talento do estudante e a \u00e1rea de conhecimento \u00e0 qual ele se prop\u00f4s dedicar alguns anos de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 verdade que muitos alunos, ao serem reprovados, tendem inicialmente a responsabilizar o professor. Antes disso, por\u00e9m, talvez seja \u00fatil que fa\u00e7am um exerc\u00edcio sincero de autocr\u00edtica, procurando identificar quais fatores, de fato, contribu\u00edram para aquele resultado.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo quando a escolha do curso \u00e9 acertada, outros fatores podem comprometer o desempenho acad\u00eamico. A aus\u00eancia de uma base s\u00f3lida de forma\u00e7\u00e3o anterior, a falta de um m\u00e9todo de estudo bem estruturado ou a tend\u00eancia, cada vez mais comum, de assumir um n\u00famero excessivo de disciplinas e atividades podem levar o estudante a uma sobrecarga dif\u00edcil de administrar. Ainda como aluno de licenciatura aprendi algo que nunca mais esqueci: a import\u00e2ncia de ter um primeiro contato com a mat\u00e9ria antes mesmo da aula. Quando o estudante chega \u00e0 sala j\u00e1 tendo visto, ainda que superficialmente, os conceitos que ser\u00e3o apresentados, a aula deixa de ser um momento de simples descoberta e passa a ser um espa\u00e7o de esclarecimento e aprofundamento. Da mesma forma, estudar apenas alguns dias antes de uma prova dificilmente produz bons resultados. Assim como nenhum atleta ol\u00edmpico se prepara apenas no m\u00eas que antecede a competi\u00e7\u00e3o, o estudante precisa cultivar um ritmo cont\u00ednuo de estudo para que o conhecimento se consolide de maneira duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 verdade que muitos alunos, ao serem reprovados, tendem inicialmente a responsabilizar o professor. Antes disso, por\u00e9m, talvez seja \u00fatil que fa\u00e7am um exerc\u00edcio sincero de autocr\u00edtica, procurando identificar quais fatores, de fato, contribu\u00edram para aquele resultado. Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 justo reconhecer que o estudante que cumpriu seriamente o seu papel e ainda assim foi prejudicado por falhas evidentes no processo de ensino ou de avalia\u00e7\u00e3o tem raz\u00f5es leg\u00edtimas para se indignar. Talvez, nesse caso, pudesse ser ele pr\u00f3prio o autor daquela faixa que encontrei na entrada do pr\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima an\u00e1lise, portanto, a aprendizagem n\u00e3o \u00e9 responsabilidade exclusiva do professor, assim como a reprova\u00e7\u00e3o tampouco pode ser atribu\u00edda apenas ao estudante. O processo educativo nasce do encontro entre duas vontades: a de ensinar e a de aprender. Quando essas duas for\u00e7as se encontram em harmonia \u2013 mediadas por seriedade intelectual, respeito m\u00fatuo e genu\u00edno compromisso com o conhecimento \u2013 a universidade realiza plenamente a sua voca\u00e7\u00e3o. Nesse cen\u00e1rio, a aprova\u00e7\u00e3o deixa de ser um objetivo em si mesma e passa a ser apenas uma consequ\u00eancia natural de algo muito mais importante: o aprendizado verdadeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez aquela faixa pudesse ter sido colocada por um estudante inconformado com uma reprova\u00e7\u00e3o que lhe pareceu injusta. Talvez tenha sido obra de um professor inquieto diante de um problema que atravessa gera\u00e7\u00f5es. Pouco importa quem a tenha colocado. O que realmente importa \u00e9 que ela nos recorda que a universidade s\u00f3 cumpre plenamente sua miss\u00e3o quando professores e estudantes reconhecem que a aprendizagem \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o compartilhada \u2013 um trabalho paciente, exigente e, ao mesmo tempo, profundamente humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"featured_media":19232,"template":"","class_list":["post-19214","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/19214","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19232"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}