{"id":20785,"date":"2026-05-15T08:27:00","date_gmt":"2026-05-15T11:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufmg.br\/?post_type=news&#038;p=20785"},"modified":"2026-05-15T16:17:30","modified_gmt":"2026-05-15T19:17:30","slug":"presenca-de-aves-revela-que-a-amazonia-e-mosaico-de-historias-evolutivas","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/meio-ambiente\/presenca-de-aves-revela-que-a-amazonia-e-mosaico-de-historias-evolutivas\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a de aves revela que a Amaz\u00f4nia \u00e9 mosaico de hist\u00f3rias evolutivas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa coordenada pelo professor Ubirajara Oliveira, do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) da UFMG, revelou que a organiza\u00e7\u00e3o das comunidades de aves na Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 explicada por um \u00fanico fator, mas por uma combina\u00e7\u00e3o complexa de solo, relevo e estabilidade clim\u00e1tica. <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/full\/10.1111\/jbi.70242\">O estudo, publicado na revista <em>Journal of Biogeography<\/em><\/a>, analisou registros de 566 esp\u00e9cies para compreender como as linhagens evolutivas se distribuem pela floresta. Ao contrastar dados de campo com vari\u00e1veis ambientais e hist\u00f3ricas, o grupo de pesquisadores \u2013 que inclui especialista da PUC Minas e pesquisador independente do Rio de Janeiro \u2013 identificou que a distribui\u00e7\u00e3o dessas aves em diferentes paisagens, como as campinaranas e as florestas de terra firme, guarda hist\u00f3rias de adapta\u00e7\u00e3o \u00fanicas, desafiando a ideia de que a Amaz\u00f4nia funciona como uma unidade ambiental simples.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo teve o objetivo de compreender a maneira como se altera a composi\u00e7\u00e3o das linhagens evolutivas ao longo da Amaz\u00f4nia, levando em conta que as \u00e1reas de estabilidade clim\u00e1tica (onde o clima variou menos) podem ter funcionado como ref\u00fagios, mantendo condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis para certas esp\u00e9cies durante per\u00edodos antigos de mudan\u00e7a clim\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando estudamos uma esp\u00e9cie isoladamente, olhamos para uma hist\u00f3ria particular. Sua distribui\u00e7\u00e3o pode depender da capacidade de voar, do alimento que consome, do ambiente que tolera ou de eventos espec\u00edficos de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Entretanto, quando olhamos para o conjunto de esp\u00e9cies de uma regi\u00e3o, ou seja, as comunidades, a quest\u00e3o muda. Ao compar\u00e1-las, podemos enxergar padr\u00f5es mais amplos, ligados a impactos na biota como um todo\u201d, comenta o professor Ubirajara Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Investiga\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplas frentes<\/strong><br>Para chegar a essas conclus\u00f5es, os cientistas utilizaram modelos matem\u00e1ticos avan\u00e7ados para processar 51.358 registros de ocorr\u00eancia de aves. O objetivo foi testar o peso de fatores como a vegeta\u00e7\u00e3o, o relevo e as barreiras fluviais. Os resultados mostraram que, embora os rios sejam barreiras fundamentais para grupos espec\u00edficos como os jacamins, eles t\u00eam um peso menor do que o esperado na organiza\u00e7\u00e3o geral das comunidades. Na escala de toda a bacia, vari\u00e1veis como a fertilidade do solo e a estabilidade clim\u00e1tica hist\u00f3rica mostraram-se mais determinantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise tamb\u00e9m mergulhou na \u00e1rvore geneal\u00f3gica dos animais para entender a dimens\u00e3o temporal da ocupa\u00e7\u00e3o da floresta. Essa abordagem filogen\u00e9tica revelou que, em florestas de altitude, o clima \u00e9 o principal regente da hist\u00f3ria evolutiva, enquanto nas florestas de terra firme, o relevo dita como as linhagens se diversificaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos pontos de maior destaque no estudo foi a an\u00e1lise das campinaranas \u2013 \u00e1reas de solo arenoso e vegeta\u00e7\u00e3o baixa que surgem como &#8220;ilhas&#8221; de habitat no meio da mata fechada. Nessas regi\u00f5es, os modelos explicaram mais de 80% da distribui\u00e7\u00e3o das aves, o \u00edndice mais alto de toda a pesquisa. O dado indica que o isolamento ambiental desses locais funciona como um filtro rigoroso, onde apenas comunidades altamente especializadas e com hist\u00f3rias evolutivas muito particulares conseguem prosperar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados indicam ainda que a mem\u00f3ria do clima antigo n\u00e3o atua de forma uniforme em toda a Amaz\u00f4nia. A estabilidade clim\u00e1tica do passado mostrou ter uma influ\u00eancia muito mais forte sobre as linhagens de aves que habitam as savanas do que sobre aquelas que vivem no entorno da margens de rios. Para os pesquisadores, a alta capacidade de dispers\u00e3o das esp\u00e9cies ribeirinhas acaba &#8220;limpando&#8221; os sinais de diferencia\u00e7\u00e3o evolutiva que o clima ou o solo poderiam imprimir, resultando em comunidades mais homog\u00eaneas ao longo dos corredores fluviais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa refor\u00e7a que, do ponto de vista da biodiversidade, a Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode ser gerida como um bloco geogr\u00e1fico homog\u00eaneo. Como cada ambiente responde a um fator ambiental ou hist\u00f3rico diferente, as estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o precisam ser descentralizadas. O estudo sugere que proteger a conectividade entre essas &#8220;ilhas&#8221; de diversidade e os diferentes tipos de floresta \u00e9 vital para manter os processos evolutivos que ainda est\u00e3o em curso na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o dos resultados com o grupo das aves, a equipe planeja aplicar a mesma metodologia a outros organismos amaz\u00f4nicos. A expectativa \u00e9 confirmar se o mosaico ambiental detectado tamb\u00e9m se repetir\u00e1 em outros grupos, como mam\u00edferos e anf\u00edbios. Segundo os autores, esse detalhamento \u00e9 o passo necess\u00e1rio para compreender a floresta n\u00e3o apenas como uma unidade de paisagem, mas como uma sobreposi\u00e7\u00e3o de sistemas biol\u00f3gicos independentes e conectados.<\/p>\n\n\n<section class=\"space-y-1 lg:px-8\">\n  <h3 class=\"text-lg font-semibold\">\n    Not\u00edcias relacionadas:\n  <\/h3>\n      <a class=\"flex gap-2 items-center text-[1.25rem]\" href=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/sob-pressao-climatica-amazonia-muda-estrategia-para-sobreviver-a-seca\/\">\n      <i class=\"ti ti-corner-down-right\"><\/i>\n      <div class=\"pt-[0.4375rem]\">\n        <h4 class=\"text-lg font-normal text-neutral-500 line-clamp-2\">\n          <span class=\"text-primary-300 text-sm uppercase\">\n            Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o          <\/span>\n          Sob press\u00e3o clim\u00e1tica, Amaz\u00f4nia muda  estrat\u00e9gia para sobreviver \u00e0 seca        <\/h4>\n        <p class=\"text-sm text-neutral-300 line-clamp-2\">\n          Estudo liderado por pesquisadores da UFMG, da Universidade de Oxford e do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (INCT\/CNPq\/MCTI) revela que a Floresta Amaz\u00f4nica vem mudando seu funcionamento nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas. 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Com a libera\u00e7\u00e3o de recursos no valor de R$ 2,1 milh\u00f5es e a aprova\u00e7\u00e3o de plano de trabalho pela Funda\u00e7\u00e3o [&hellip;]        <\/p>\n      <\/div>\n    <\/a>\n  <\/section>","protected":false},"featured_media":20798,"template":"","class_list":["post-20785","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/20785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20798"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}