{"id":5287,"date":"2025-07-18T09:00:00","date_gmt":"2025-07-18T12:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/?post_type=news&#038;p=5287"},"modified":"2025-09-22T11:14:45","modified_gmt":"2025-09-22T14:14:45","slug":"em-livro-dawisson-belem-lopes-conta-a-historia-social-da-politica-externa-brasileira","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/em-livro-dawisson-belem-lopes-conta-a-historia-social-da-politica-externa-brasileira\/","title":{"rendered":"Em livro, Dawisson Bel\u00e9m Lopes conta a hist\u00f3ria social da pol\u00edtica externa brasileira"},"content":{"rendered":"\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/De-Bonifacio-a-Amorim-livro-de-Dawisson-Belem-Lopes-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"'De Bonif\u00e1cio a Amorim': livro de Dawisson Bel\u00e9m Lopes\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\t&#8216;De Bonif\u00e1cio a Amorim&#8217;: livro de Dawisson Bel\u00e9m Lopes\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tImagem: Reprodu\u00e7\u00e3o de capa\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>Por que a pol\u00edtica internacional das na\u00e7\u00f5es \u00e9 t\u00e3o importante? Talvez porque, tal como afirmou o poeta ingl\u00eas John Donne sobre o homem, nenhum pa\u00eds \u00e9 uma ilha \u2013 ao menos metaforicamente falando. Para seguirem existindo, as na\u00e7\u00f5es, assim como os homens, precisam estabelecer rela\u00e7\u00f5es transacionais e de cordialidade entre si e cuidar continuamente delas, flexibilizando dialogicamente o car\u00e1ter supostamente absoluto de suas autonomias&nbsp;\u2013 os acontecimentos&nbsp;em&nbsp;Israel, Gaza, Ir\u00e3, R\u00fassia e&nbsp;Ucr\u00e2nia s\u00e3o&nbsp;exemplos tr\u00e1gicos da&nbsp;n\u00e3o observ\u00e2ncia desse preceito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA autonomia do Estado \u2013 isto \u00e9, a capacidade de gerar a pr\u00f3pria norma de conduta no plano internacional \u2013, no marco de uma sociedade internacional, \u00e9 sempre contingente\u201d, demarca o cientista pol\u00edtico Dawisson Bel\u00e9m Lopes, professor do Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (Fafich). \u201cNo \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es entre Estados, n\u00e3o h\u00e1 \u2018super-homem nietzschiano\u2019 nem \u2018imperativo categ\u00f3rico kantiano\u2019 poss\u00edvel. Nenhum ator nacional comporta o \u00f4nus da a\u00e7\u00e3o moral aut\u00e1rquica ou puramente auto-orientada\u201d, garante o professor de pol\u00edtica internacional e comparada da UFMG.<\/p>\n\n\n\n<p>Dawisson acaba de lan\u00e7ar, pela Editora UFMG,&nbsp;o livro&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.editoraufmg.com.br\/#\/pages\/obra\/1069\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">De Bonif\u00e1cio a Amorim: elementos de uma teoria social da pol\u00edtica externa brasileira<\/a><\/em>. Nele, o autor percorre 200 anos da nossa pol\u00edtica internacional \u2013 mais precisamente, o per\u00edodo compreendido entre 1822, ano da Independ\u00eancia brasileira, e os dias atuais \u2013 buscando entender como as decis\u00f5es tomadas pelo Brasil nos momentos-chave do per\u00edodo colaboraram para moldar a posi\u00e7\u00e3o ocupada hoje pela na\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio global. O que o autor busca&nbsp;demonstrar \u00e9 que a pol\u00edtica internacional brasileira foi feita mais de continuidade e ac\u00famulo cultural do&nbsp;que de rupturas e mudan\u00e7as bruscas de rota.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/07\/Jose-Bonifacio-de-Andrada-e-Silva-patrono-da-Independencia-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, patrono da Independ\u00eancia\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tJos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, patrono da Independ\u00eancia\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tPintura: Oscar Pereira da Silva | Biblioteca Nacional\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cOs tra\u00e7os mais ou menos permanentes da conduta brasileira nas rela\u00e7\u00f5es exteriores firmaram-se nas d\u00e9cadas \u2013 e s\u00e9culos \u2013 de intera\u00e7\u00e3o com a sua sociedade e com as demais sociedades nacionais ao redor do mundo\u201d, afirma o autor na introdu\u00e7\u00e3o de sua obra. \u201cH\u00e1 bons ind\u00edcios de que as perman\u00eancias bisseculares est\u00e3o ao alcance do olho nu\u201d, registra. Mais do que por meio de documentos e diretrizes, as ideias e normas que regeram essa continuidade, avalia&nbsp;o professor,&nbsp;foram transmitidas sobretudo pelas&nbsp;pessoas que ocuparam a chancelaria nacional,&nbsp;\u201cpersonagens que, gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o, constru\u00edram uma na\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Basilares e balizadores, dois desses nomes tematizam a linha de continuidade e ac\u00famulo exposta pelo livro: o patrono da Independ\u00eancia Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, ministro do Reino e dos Neg\u00f3cios Estrangeiros de janeiro de 1822 a julho de 1823 (o primeiro a exercer a fun\u00e7\u00e3o no Brasil p\u00f3s-Independ\u00eancia),&nbsp;e Celso Luiz Nunes Amorim, o grande chanceler brasileiro do s\u00e9culo 21, nome que por mais tempo cumulativo esteve \u00e0 frente do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (nove anos e cinco meses, portanto mais que o lend\u00e1rio Bar\u00e3o do Rio Branco, o grande nome do meio desse caminho, \u201cponte entre dois mundos\u201d, como lembra Dawisson). \u201cAmorim ainda serviu como ministro da Defesa da presidente Dilma Rousseff, tornando-se, na hist\u00f3ria moderna do pa\u00eds, o brasileiro com maior tempo de perman\u00eancia em cargos de ministro de Estado\u201d, lembra o autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde janeiro de 2023, Celso Amorim \u00e9 assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da Rep\u00fablica, atuando como conselheiro de pol\u00edtica externa. De l\u00e1 para c\u00e1, o diplomata fez uma s\u00e9rie de viagens com e sem o presidente Lula para pa\u00edses como R\u00fassia, China, Turquia, Ucr\u00e2nia, Alemanha e Venezuela, entre v\u00e1rios outros, buscando estreitar la\u00e7os com parceiros estrat\u00e9gicos e inserir a perspectiva brasileira em agendas de negocia\u00e7\u00e3o internacionais, em particular as relacionadas \u00e0 busca pela paz nos conflitos ora em curso.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Celso-Amorim-na-Ucrania-em-2023-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Celso Amorim na Ucr\u00e2nia, em 2023: atua\u00e7\u00e3o brasileira na media\u00e7\u00e3o de conflitos internacionais\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tCelso Amorim na Ucr\u00e2nia, em 2023: atua\u00e7\u00e3o brasileira na media\u00e7\u00e3o de conflitos internacionais\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Fotos P\u00fablicas\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Teoria social da pol\u00edtica externa<\/strong><br>Em seu livro, Dawisson faz uma abordagem interdisciplinar e sobretudo sociol\u00f3gica da pol\u00edtica externa brasileira, contemplando, entre outras, \u201cvari\u00e1veis econ\u00f4micas, culturais e institucionais\u201d, como lembra Andreza Aruska de Souza Santos, diretora do King\u2019s Brazil Institute, do Reino Unido, na contracapa do volume. \u201cDawisson articula as muitas descobertas que fez nas suas pesquisas das \u00faltimas duas d\u00e9cadas sobre a pol\u00edtica externa brasileira, avan\u00e7ando ao elencar os fundamentos de uma necess\u00e1ria teoria social da pol\u00edtica externa brasileira p\u00f3s-diplom\u00e1tica\u201d, complementa Carlos Aur\u00e9lio Pimenta de Faria, titular da c\u00e1tedra Rio Branco da Universidade de Oxford, no Reino Unido. Parte significativa dos achados da obra de Dawisson \u00e9 fruto do est\u00e1dio p\u00f3s-doutoral realizado por ele na universidade brit\u00e2nica entre 2022 e 2023.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Dawisson-Belem-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Dawisson: pol\u00edtica externa brasileira colaborou para a constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tDawisson: pol\u00edtica externa brasileira colaborou para a constru\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Jebs Lima | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cQuando se torna independente, e passa a contar com o reconhecimento dos pares, [<em>um pa\u00eds<\/em>] precisa produzir uma pol\u00edtica externa. Tem de estabelecer um conjunto de princ\u00edpios e procedimentos para o relacionamento com os de igual estatuto. O processo n\u00e3o acontece da noite para o dia; vem pelo ac\u00famulo. Desse ac\u00famulo, identifica-se um padr\u00e3o\u201d, explica Dawisson, para quem pol\u00edtica exterior \u00e9 necessariamente cruzamento do dom\u00e9stico com o internacional, a despeito de o meio acad\u00eamico \u2013 e tamb\u00e9m a imprensa, registre-se \u2013 frequentemente tratar de maneira dualista os dois planos. \u201cO que acontece fora das fronteiras,&nbsp;repercute dentro. O que se passa dentro, irradia para fora. Invariavelmente, por\u00e9m, a dimens\u00e3o dom\u00e9stica \u00e9 subestimada nas an\u00e1lises das rela\u00e7\u00f5es internacionais\u201d, insiste o autor.<\/p>\n\n\n\n<p>Dawisson parte desse tru\u00edsmo para sustentar a pertin\u00eancia de sua proposta de elaborar&nbsp;uma teoria da pol\u00edtica externa brasileira atravessada pela perspectiva social. \u201cH\u00e1 pouca teoria social da pol\u00edtica externa. \u00c9 mais encontradi\u00e7o o olhar que avalia a esfera internacional de forma descolada da pol\u00edtica interna. Abordagens voltadas para palavras e atos institucionais de presidentes ou chanceleres desconsideram, com razo\u00e1vel frequ\u00eancia, os elementos capitais da produ\u00e7\u00e3o social da pol\u00edtica exterior \u2013 a economia, a cultura, as institui\u00e7\u00f5es, a religi\u00e3o, os valores comportamentais\u201d, afirma. Insurgindo-se contra essa tradi\u00e7\u00e3o, o autor busca intercalar essas duas perspectivas \u2013 o dom\u00e9stico e o internacional \u2013 em todas as an\u00e1lises que faz, ao longo dos cap\u00edtulos da obra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Organiza\u00e7\u00e3o da obra<\/strong><br>O livro est\u00e1 organizado em sete cap\u00edtulos, entre introdu\u00e7\u00e3o e conclus\u00e3o. No fim de cada um, Dawisson insere um estudo de caso referente a um aspecto do contexto brasileiro. O primeiro cap\u00edtulo apresenta os par\u00e2metros estabelecidos pelo autor para seu avan\u00e7o na formula\u00e7\u00e3o de uma teoria social da pol\u00edtica externa brasileira. Os elementos dessa teoria, propriamente, s\u00e3o apresentados no s\u00e9timo cap\u00edtulo. \u201cEsse \u00e9 o est\u00e1gio mais ambicioso do empreendimento e, naturalmente, onde todo o esfor\u00e7o pr\u00e9vio se rematerializa, de uma forma mais organizada, ganhando contornos mais ou menos definitivos\u201d, explica o autor na introdu\u00e7\u00e3o do volume. Entre esses dois cap\u00edtulos de abordagem mais geral, cinco cap\u00edtulos mais&nbsp;espec\u00edficos&nbsp;fazem avan\u00e7ar&nbsp;as reflex\u00f5es do autor.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo est\u00e1 centrado&nbsp;nos fundamentos aristocr\u00e1ticos da pol\u00edtica externa brasileira; o terceiro, nos seus fundamentos olig\u00e1rquicos. O quarto trata do \u201cpeso paquid\u00e9rmico\u201d das institui\u00e7\u00f5es brasileiras \u2013 e do Itamaraty, mais particularmente \u2013, buscando compreender qual o impacto dessa \u201cossatura institucional\u201d na constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa brasileira. O quinto,&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2023-08\/seis-novos-paises-integrarao-o-brics-partir-de-janeiro-de-2024\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">motivado pela expans\u00e3o do Brics ocorrida em 2024<\/a>, versa sobre o car\u00e1ter \u201ccambiante\u201d dos alinhamentos internacionais de nossa pol\u00edtica internacional. O sexto, por seu turno, reflete sobre \u201ca diplomacia do conhecimento\u201d como \u201cgrande estrat\u00e9gia nacional\u201d e sobre o decl\u00ednio vivido por esse modelo de diplomacia em determinado momento recente de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"336\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Barao-do-Rio-Branco-336x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"'Ponte entre dois mundos': Bar\u00e3o do Rio Branco foi ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores no in\u00edcio do s\u00e9culo 20\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\t&#8216;Ponte entre dois mundos&#8217;: Bar\u00e3o do Rio Branco foi ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores no in\u00edcio do s\u00e9culo 20\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Dom\u00ednio p\u00fablico\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>Com efeito, Dawisson n\u00e3o se furta lembrar e repassar, no livro, um dos per\u00edodos mais constrangedores da pol\u00edtica internacional brasileira: a presen\u00e7a, durante os dois primeiros anos da presid\u00eancia de Jair Bolsonaro, de Ernesto Ara\u00fajo \u00e0 frente do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, sucedido pelo&nbsp;diplomata Carlos Fran\u00e7a (\u201cambos sem uma reputa\u00e7\u00e3o profissional estabelecida antes de assumirem o cargo de chanceler\u201d, descreve, com eleg\u00e2ncia, Dawisson no volume). No per\u00edodo, v\u00e1rias heterodoxias foram cometidas: agentes de fora da carreira diplom\u00e1tica, por exemplo, \u201cforam considerados para a chefia de embaixadas em uma frequ\u00eancia sem precedente desde a profissionaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o externo do pa\u00eds\u201d, lembra o autor, que tamb\u00e9m faz refer\u00eancias ao in\u00e9dito atravessamento religioso visto, no per\u00edodo, na pol\u00edtica externa da supostamente laica na\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Na apresenta\u00e7\u00e3o do livro, o jurista, diplomata e economista brasileiro Rubens Ricupero, uma das grandes refer\u00eancias brasileiras em pol\u00edtica internacional, elogia o modo did\u00e1tico com que Dawisson concebeu sua obra. \u201cO autor consegue se sair com brilho do desafio quase intranspon\u00edvel: o de produzir estudo denso, de irrepreens\u00edvel rigor acad\u00eamico, sem perder a legibilidade do texto e o atrativo com que ele flui com agrad\u00e1vel naturalidade\u201d, escreve o ex-ministro, que j\u00e1 foi representante do Brasil em Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, e embaixador do pa\u00eds em Washington, nos EUA, e em Roma, na It\u00e1lia. Ricupero afirma que se trata de um livro \u201cacess\u00edvel a qualquer leitor culto interessado nas quest\u00f5es externas\u201d, e n\u00e3o apenas a diplomatas. \u201cDawisson escreve de forma \u00e1gil, com frases curtas, vocabul\u00e1rio emprestado \u00e0s artes, \u00e0 literatura. Suas imagens estimulam o leitor pelo surpreendente dos ecos liter\u00e1rios ou sociol\u00f3gicos\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O autor<\/strong><br>Professor de pol\u00edtica internacional e comparada na Fafich, Dawisson Bel\u00e9m Lopes \u00e9 autor de v\u00e1rios livros sobre temas pol\u00edticos e internacionais, entre eles&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/www.editoraufmg.com.br\/#\/pages\/obra\/626\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pol\u00edtica externa na Nova Rep\u00fablica: os primeiros 30 anos<\/a><\/em>&nbsp;(Editora UFMG&nbsp; 2017) e&nbsp;<em>Pol\u00edtica externa e democracia no Brasi<\/em>l (Editora Unesp, 2013), dos quais&nbsp;<em>De Bonif\u00e1cio a Amorim<\/em>&nbsp;se entende como continuidade, amplia\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, s\u00edntese, na opini\u00e3o de seu autor. Em sua trajet\u00f3ria no exterior, Dawisson foi pesquisador visitante no Instituto Alem\u00e3o de Estudos Globais e de \u00c1rea (Giga), em Hamburgo, na Alemanha (2013), na Universidade Cat\u00f3lica da Lovaina, na B\u00e9lgica (2016), e na Universidade de Oxford, no Reino Unido (2022 e&nbsp;2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o docente, Dawisson ocupa o cargo de diretor do Escrit\u00f3rio de Governan\u00e7a de Dados Institucionais (EGDI) da UFMG. De&nbsp;2018 a&nbsp;2022, ele foi diretor-adjunto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Livro<\/strong>:&nbsp;<em>De Bonif\u00e1cio a Amorim: elementos de uma teoria social da pol\u00edtica externa brasileira<\/em><br><strong>Autor<\/strong>: Dawisson Bel\u00e9m Lopes<br>Editora UFMG<br>R$ 85 \/ 373 p\u00e1ginas<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entrevista \/ Dawisson Bel\u00e9m Lopes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">\u2018Reciprocidade \u00e9 princ\u00edpio basilar da diplomacia&nbsp;internacional\u2019<\/h3>\n\n\n\n<p><em>As \u00faltimas semanas expuseram&nbsp;um desafio, ao que parece, in\u00e9dito para a diplomacia brasileira, com a carta publicada no dia 9 de julho pelo presidente estadunidense Donald Trump. Nela, ele associou&nbsp;a aplica\u00e7\u00e3o de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a serem exportados para os EUA a partir de agosto ao&nbsp;fato de o judici\u00e1rio brasileiro conduzir&nbsp;um julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro \u00e9 r\u00e9u. (&#8220;Esse julgamento n\u00e3o deveria estar ocorrendo. \u00c9 uma ca\u00e7a \u00e0s bruxas que deve acabar IMEDIATAMENTE!&#8221;, escreveu Trump na correspond\u00eancia, que n\u00e3o chegou a ser enviada ao Brasil pelos canais diplom\u00e1ticos oficiais, e sim&nbsp;apenas postada&nbsp;nas redes do presidente estadunidense.)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Entre especialistas, a investida de Trump, resultado de um&nbsp;<\/em>lobby&nbsp;<em>feito pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro&nbsp;<\/em><em>junto ao governo americano, foi lida como \u201cmaligna e megaloman\u00edaca\u201d (Paul Krugman, vencedor do Pr\u00eamio Nobel de Economia) e de claro \u201cvi\u00e9s pol\u00edtico\u201d (Alexandre Schwartsman, ex-diretor&nbsp;do Banco Central), assim como desprovida de qualquer justificativa econ\u00f4mica plaus\u00edvel. Politicamente, o que&nbsp;assustou, mas n\u00e3o surpreendeu, foi&nbsp;o fato de uma medida econ\u00f4mica negativa ao Brasil ter sido fomentada publicamente por pol\u00edticos brasileiros. Pelo lado do&nbsp;governo, a a\u00e7\u00e3o de Trump \u2013 e, por consequ\u00eancia, de seus fomentadores \u2013 foi lida como uma investida contra a soberania nacional.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Na entrevista abaixo, Dawisson analisa o cen\u00e1rio \u00e0 luz de seus conhecimentos da diplomacia brasileira.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao repassar os 200 anos de pol\u00edtica internacional que voc\u00ea aborda em seu livro, \u00e9 poss\u00edvel encontrar alguma ocorr\u00eancia hist\u00f3rica que, ao menos de longe, fa\u00e7a paralelo com o que ocorreu neste m\u00eas?<br><\/strong>Primeiramente, em rela\u00e7\u00e3o ao certo \u201cineditismo\u201d das tarifas majoradas que talvez venham a ser aplicadas aos produtos brasileiros importados pelos estadunidenses, defendo que n\u00e3o se deve exagerar no &#8220;presentismo&#8221;. N\u00e3o necessariamente estamos&nbsp;vivendo algo nunca antes experimentado pela pol\u00edtica brasileira. S\u00f3 para dar um exemplo palp\u00e1vel, lembro do caso que envolveu a reserva de mercado para computadores no Brasil na d\u00e9cada de 1980. Na ocasi\u00e3o, o Brasil aplicou uma regra segundo a qual a ind\u00fastria dos computadores deveria usar apenas insumos nacionais; com isso, o mercado seria estritamente nacional, n\u00e3o haveria importa\u00e7\u00e3o de produtos. Na \u00e9poca, os Estados Unidos nos retaliaram por isso: san\u00e7\u00f5es de natureza comercial&nbsp;aplicadas pelo governo Reagan&nbsp;afetaram frontalmente a ind\u00fastria automobil\u00edstica brasileira. Foi uma retalia\u00e7\u00e3o cruzada. Ent\u00e3o eu n\u00e3o acho que estejamos&nbsp;autorizados a dizer que nada parecido jamais foi enfrentado nesse sentido. Em outros momentos da hist\u00f3ria, o Brasil tamb\u00e9m teve de se haver com os efeitos colaterais de algumas de suas decis\u00f5es, e a rela\u00e7\u00e3o entre os EUA e o Brasil, especificamente, j\u00e1 teve outros momentos de estremecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Com as al\u00edquotas a nos&nbsp;amea\u00e7ar, Trump \u00e9 capaz de empurrar o Brasil para as cordas, colocar-nos em sinuca? Qual o poder, pragmaticamente falando, desse tipo de investida, no contexto da rela\u00e7\u00e3o EUA-Brasil?<\/strong><br>A julgar pelos \u00faltimos passos tomados pelo chefe de Estado dos Estados Unidos, temos boas raz\u00f5es para acreditar na hip\u00f3tese de que ele v\u00e1 recuar, isto \u00e9, que ele n\u00e3o v\u00e1 implementar efetivamente essa sobretaxa\u00e7\u00e3o a produtos brasileiros. Mas imaginemos que Trump leve a cabo essa proposta. Mesmo nesse contexto, o impacto sobre a economia brasileira \u00e9 diminuto, como j\u00e1 foi calculado por especialistas. Seria algo&nbsp;equivalente a menos de 2% do PIB nacional. Assim, mesmo sem entrarmos no m\u00e9rito simb\u00f3lico da quest\u00e3o, nunca se justificaria, economicamente falando, que o Brasil acatasse passivamente uma inger\u00eancia do governo estadunidense nos nossos assuntos [<em>jur\u00eddicos, pol\u00edticos etc.<\/em>] dom\u00e9sticos. Nem da perspectiva econ\u00f4mica se justificaria esse tipo de a\u00e7\u00e3o, muito menos da perspectiva do estado territorial soberano chamado Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tomando-se por base a tradi\u00e7\u00e3o estabelecida pela diplomacia brasileira ao longo de sua hist\u00f3ria, o Brasil tem acertado na resposta dada ao problema? Dito de outro modo, a reciprocidade \u00e9 a resposta correta \u00e0 quest\u00e3o ou um caminho alternativo seria poss\u00edvel e prof\u00edcuo?<\/strong><br>Em v\u00e1rias geografias do planeta, e por v\u00e1rios meios, Donald Trump vem tentando impor algumas de suas condi\u00e7\u00f5es, e os estados t\u00eam reagido \u2013 haja vista os casos de Canad\u00e1, M\u00e9xico e China \u2013 com base na ideia de reciprocidade, que \u00e9 um princ\u00edpio basilar da atividade diplom\u00e1tica internacional. O Brasil s\u00f3 tem esse caminho; n\u00e3o h\u00e1 outra possibilidade. \u00c9 claro, e aqui fa\u00e7o uma ressalva, os diplomatas seguir\u00e3o trabalhando, seguir\u00e3o defendendo uma vis\u00e3o mais t\u00e9cnica, e tentando chegar a bom termo. Mas nesse primeiro momento, \u00e9 impens\u00e1vel que o Brasil recue. O&nbsp;Brasil foi amea\u00e7ado e sofreu uma viol\u00eancia, da perspectiva internacional, de modo que n\u00e3o cabe \u00e0s suas autoridades&nbsp;acatar passivamente. Neste&nbsp;primeiro momento, deve-se&nbsp;tentar restituir o equil\u00edbrio da rela\u00e7\u00e3o. Num segundo momento, os diplomatas poder\u00e3o tratar em bases mais t\u00e9cnicas, politicamente mais neutras, do tema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Foi publicado, nesta ter\u00e7a-feira, 15, o decreto referente \u00e0 quest\u00e3o da reciprocidade. Qual \u00e9 o papel de um documento como esse?<\/strong><br>Esse n\u00e3o \u00e9 um documento endere\u00e7ado aos EUA. \u00c9 evidente que o elemento que desencadeou o processo e que figura como seu pano de fundo \u00e9 essa rusga entre Trump e o governo brasileiro (mais especificamente, entre Trump e o ministro&nbsp;do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes), mas n\u00e3o se trata de uma diretriz ou de um conte\u00fado normativo espec\u00edfico para os Estados Unidos. \u00c9 uma legisla\u00e7\u00e3o que d\u00e1 margem para que o presidente atual invoque a reciprocidade todas as vezes em que o Brasil for amea\u00e7ado e posto contra a parede. O documento trata de forma abstrata do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esse tipo de documento, para vir a lume, passa antes por uma inst\u00e2ncia de diplomacia, ou sua concep\u00e7\u00e3o \u00e9 meramente pol\u00edtica? O Itamaraty participa da composi\u00e7\u00e3o desse tipo de documento, ou isso \u00e9 algo que cabe mais \u00e0 fazenda e aos demais minist\u00e9rios da administra\u00e7\u00e3o mais central do governo?<\/strong><br>O Itamaraty certamente contribuiu e foi ouvido, mas essa discuss\u00e3o (e aqui eu retomo a quest\u00e3o de uma pergunta anterior), neste momento, ainda \u00e9 rent\u00e1vel da perspectiva pol\u00edtico-eleitoral. As pesquisas de opini\u00e3o que come\u00e7am a ser divulgadas mostram um incremento da popularidade de Lula em meio a essa crise com os Estados Unidos.&nbsp;Minha aposta \u00e9 a de que, enquanto esse tema se mantiver rent\u00e1vel [<em>politicamente<\/em>], enquanto esse tema aumentar a popularidade e a inten\u00e7\u00e3o de voto em Lula, ele [<em>o tema<\/em>] n\u00e3o vai ser tratado por diplomatas; ele dever\u00e1 continuar sendo explorado por uma angula\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel ao presidente e ao seu governo. S\u00f3 num segundo momento essa conversa assumir\u00e1 uma natureza mais t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em cen\u00e1rios pol\u00edtico-econ\u00f4mico-diplom\u00e1ticos como o que se instaurou neste m\u00eas, ocorre um esfor\u00e7o do Itamaraty de intensificar conversas com outros mercados internacionais, seja com a inten\u00e7\u00e3o de abrir novos canais de comunica\u00e7\u00e3o para tentar encaminhar dialogicamente a crise, seja com a inten\u00e7\u00e3o objetiva de se tentar fomentar a abertura de novos canais de escoamento para a nossa produ\u00e7\u00e3o? Esse tipo de a\u00e7\u00e3o mais focada na dimens\u00e3o&nbsp;econ\u00f4mico-transacional, em vez de pol\u00edtica, cabe tamb\u00e9m ao Itamaraty, ou fica mais com outras pastas?<\/strong><br>\u00d3tima pergunta. De fato, com a amea\u00e7a da sobretaxa\u00e7\u00e3o a produtos brasileiros, o que deve acontecer em sequ\u00eancia \u00e9 o que os especialistas em com\u00e9rcio exterior chamam de \u201cdesvio de rota\u201d: o com\u00e9rcio que ocorria entre exportadores brasileiros e importadores estadunidenses deve passar a ocorrer com outros pa\u00edses de parte a parte. O Brasil vai passar a vender para outros mercados; j\u00e1 os EUA&nbsp;encontrar\u00e3o meios para produzir internamente&nbsp;ou v\u00e3o buscar fornecedores em outro pa\u00eds. Especificamente, o Brasil tender\u00e1 a ampliar a sua procura&nbsp;por novos mercados para os seus produtos no Oriente M\u00e9dio, no Sul da \u00c1sia e no Sudeste da \u00c1sia; talvez&nbsp;at\u00e9 na pr\u00f3pria Am\u00e9rica Latina, na \u00c1frica e na Europa. Mas certamente a diretriz \u00e9 a diversifica\u00e7\u00e3o. O interessante a notar \u00e9 o seguinte: no caso brasileiro \u2013 em que, como eu disse anteriormente, o impacto [<em>econ\u00f4mico<\/em>] n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alto para as contas nacionais \u2013, o pa\u00eds tender\u00e1 a perseverar numa dire\u00e7\u00e3o que j\u00e1 foi apontada no in\u00edcio desta gest\u00e3o presidencial, que \u00e9 a da diversifica\u00e7\u00e3o de mercados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas, no que diz respeito a essa busca por diversifica\u00e7\u00e3o: essa \u00e9 uma tarefa mais exclusiva do Itamaraty?<\/strong><br>Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa que caiba exclusivamente ao Itamaraty. Quero fazer uma men\u00e7\u00e3o honrosa ao Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa). Esse \u00f3rg\u00e3o tem tido uma atua\u00e7\u00e3o relevante na abertura de novos mercados para o Brasil \u2013 o Mapa cede t\u00e9cnicos ao Itamaraty, que atuam sob a denomina\u00e7\u00e3o de \u201cadidos agr\u00edcolas\u201d. Esses adidos t\u00eam atuado mundo afora na promo\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro. Isso \u00e9 algo que j\u00e1 acontece h\u00e1 algum tempo, e, neste governo, tem acontecido com razo\u00e1vel intensidade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para terminar, fale um pouco sobre as possibilidades e sobre as limita\u00e7\u00f5es da chancelaria em um momento como este: o que cabe e o que n\u00e3o cabe \u00e0 diplomaria brasileira realizar nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br>O Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Brasil, se considerarmos a sua primeira encarna\u00e7\u00e3o que remonta \u00e0 \u00e9poca do Imp\u00e9rio, \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o de estado com&nbsp;mais de 200 anos. Qualquer formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa brasileira hoje levar\u00e1 em conta a posi\u00e7\u00e3o do Itamaraty e dos seus diplomatas. Ao mesmo tempo, o chanceler (no Brasil, n\u00f3s nos referimos ao Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores como chanceler, mas essa nomenclatura varia mundo afora) tem evidentemente os limites impostos a&nbsp;qualquer servidor p\u00fablico. No limite, quem conduz a pol\u00edtica externa brasileira \u00e9 o chefe de Estado, o presidente da Rep\u00fablica. Mas o chanceler \u00e9 um ator tremendamente influente.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu s\u00f3 faria a ressalva de que, no ecossistema da pol\u00edtica externa brasileira, h\u00e1 outros atores. Al\u00e9m do presidente, h\u00e1 outros ministros importantes e relevantes&nbsp;atores da sociedade civil \u2013 empres\u00e1rios, imprensa, universidades, igrejas, ONGs \u2013, de modo que \u00e9 necess\u00e1rio considerar toda essa constela\u00e7\u00e3o de agentes e de interesses para se explicar uma determinada pol\u00edtica externa. Isso posto, \u00e9 \u00f3bvio que o Itamaraty \u00e9 bastante central, e \u00e9 algo que n\u00f3s afirmamos e reafirmamos no nosso livro: \u00e9 vis\u00edvel como, nos momentos cr\u00edticos da hist\u00f3ria brasileira, o Itamaraty acaba sendo chamado \u00e0 responsabilidade e tem, quando nada, uma fun\u00e7\u00e3o de desenhar a pol\u00edtica em termos mais especializados.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":5288,"template":"","class_list":["post-5287","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/5287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5288"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}