{"id":5553,"date":"2025-08-25T08:49:00","date_gmt":"2025-08-25T11:49:00","guid":{"rendered":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/?post_type=news&#038;p=5553"},"modified":"2025-09-12T09:41:26","modified_gmt":"2025-09-12T12:41:26","slug":"seminario-reflete-sobre-processo-de-heteroidentificacao-na-ufmg","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/formas-de-ingresso\/seminario-reflete-sobre-processo-de-heteroidentificacao-na-ufmg\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio reflete sobre processo de heteroidentifica\u00e7\u00e3o na UFMG"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meados da d\u00e9cada de&nbsp;2010, os programas de a\u00e7\u00e3o afirmativa ganharam for\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es de ensino brasileiras, com vistas a reparar as distor\u00e7\u00f5es, desigualdades sociais e outras&nbsp;pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias, marcas do processo de forma\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds. Essas iniciativas articulam uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas acad\u00eamicas de acolhimento, aten\u00e7\u00e3o e apoio aos estudantes em suas necessidades, bem como a pol\u00edtica de cotas (<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12711.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lei n\u00ba 12.711\/2012<\/a>), que garante o ingresso de grupos socialmente discriminados na universidade por meio da reserva de vagas.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado de luta hist\u00f3rica travada pelo movimento negro, as pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas foram aperfei\u00e7oadas no decorrer da \u00faltima d\u00e9cada, como \u00e9 o caso da ado\u00e7\u00e3o da heteroidentifica\u00e7\u00e3o racial. Diversas institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias e jur\u00eddicas incorporaram esses procedimentos, a fim de garantir a legitimidade da reserva de vagas. Entretanto, a grande varia\u00e7\u00e3o de formatos e metodologias adotados entre as institui\u00e7\u00f5es representa&nbsp;um desafio para o&nbsp;processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse contexto d\u00e1 o tom do&nbsp;<em>1\u00ba Semin\u00e1rio de imers\u00e3o em procedimentos de heteroidentifica\u00e7\u00e3o racial da UFMG<\/em>, que ser\u00e1 realizado&nbsp;nesta sexta-feira, dia 29. As&nbsp;inscri\u00e7\u00f5es&nbsp;<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSfAFAL_9It-CEGnQDGKv9_H1Sj89dziey3Zyw1WoUhgS2uKUg\/viewform\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">podem ser feitas por meio de formul\u00e1rio eletr\u00f4nico<\/a>. Organizado pela Comiss\u00e3o Permanente de A\u00e7\u00f5es Afirmativas e Inclus\u00e3o (CPAAI), o evento visa promover uma reflex\u00e3o profunda sobre diferentes dimens\u00f5es da heteroidentifica\u00e7\u00e3o no campo das a\u00e7\u00f5es afirmativas. As atividades ter\u00e3o lugar no Centro de Atividades Did\u00e1ticas 2 (CAD 2).<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DNGNYRKxaij\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">programa\u00e7\u00e3o do semin\u00e1rio<\/a>&nbsp;come\u00e7a \u00e0s 8h, com mesa de abertura em que estar\u00e3o presentes a reitora Sandra Regina&nbsp;Goulart Almeida,&nbsp;o presidente da CPAAI,&nbsp;Rodrigo Ednilson, e o professor&nbsp;Delton Felipe, diretor de A\u00e7\u00f5es Afirmativas da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisadores Negros (ABPN). Professores e pesquisadores apresentar\u00e3o pesquisas sobre bancas de heteroidentifica\u00e7\u00e3o e identidade racial no contexto das universidades brasileiras. No encerramento da programa\u00e7\u00e3o, \u00e0s 19h, ser\u00e3o&nbsp;lan\u00e7ados&nbsp;dois livros, que p\u00f5em&nbsp;em pauta a discuss\u00e3o sobre mesti\u00e7agem na sociedade brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Duas d\u00e9cadas de a\u00e7\u00f5es afirmativas<br><\/strong><a href=\"https:\/\/ufmg.br\/comunicacao\/noticias\/e-preciso-que-as-pessoas-conhecam-a-trajetoria-das-acoes-afirmativas-na-ufmg-diz-nilma-lino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Iniciado na UFMG em 2002, o&nbsp;movimento de&nbsp;a\u00e7\u00f5es afirmativas<\/a>&nbsp;visava&nbsp;reverter desigualdades e promover a participa\u00e7\u00e3o de grupos historicamente sub-representados na academia \u2013&nbsp;negros, ind\u00edgenas e pessoas com defici\u00eancia. A iniciativa, idealizada pelos professores Nilma Lino Gomes e Luiz Alberto Oliveira Gon\u00e7alves (falecido em 2023), da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o (FaE), antecede a pr\u00f3pria Lei de Cotas, institu\u00edda em 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio da pol\u00edtica de b\u00f4nus, adotada de 2009 a 2012,&nbsp;<a href=\"https:\/\/ufmg.br\/comunicacao\/noticias\/maior-melhor-e-mais-inclusiva-acoes-afirmativas-mudam-a-cara-da-ufmg\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a UFMG deu um importante passo para diversificar seu corpo discente<\/a>. A partir de 2013, esse processo ganhou impulso com a implanta\u00e7\u00e3o da&nbsp;Lei de Cotas, que determina que&nbsp;um&nbsp;percentual de vagas em cada curso \u00e9 reservado&nbsp;a estudantes negros, ind\u00edgenas e com defici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA pol\u00edtica de reserva de vagas \u00e9 o reconhecimento de que esses estudantes t\u00eam direito a estar na universidade. Esse reconhecimento j\u00e1 produz uma mudan\u00e7a simb\u00f3lica, pois esses estudantes chegam e s\u00e3o recebidos&nbsp;sabendo que t\u00eam direito de&nbsp;estar&nbsp;ali\u201d, afirma o professor Rodrigo Ednilson.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"medium\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"445\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Rodrigo-Ednilson-640x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Rodrigo Ednilson: estudantes cotistas sabem que t\u00eam direito de estar na Universidade\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tRodrigo Ednilson: estudantes cotistas sabem que t\u00eam direito de estar na Universidade\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Foca Lisboa | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Aprimoramento<br><\/strong>A princ\u00edpio, esses estudantes apresentavam apenas uma autodeclara\u00e7\u00e3o racial, afirmando ser de cor preta ou parda. Em 2019, a UFMG adotou a heteroidentifica\u00e7\u00e3o racial como mecanismo complementar. A medida surgiu&nbsp;em resposta ao uso indevido do direito \u00e0s cotas, como forma de garantir a legitimidade do processo e para assegurar que as vagas reservadas sejam&nbsp;destinadas, de fato, aos estudantes negros.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Ednilson&nbsp;esclarece que a UFMG adota os princ\u00edpios preconizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que, em 2012, deliberou pela&nbsp;<a href=\"https:\/\/portal.stf.jus.br\/noticias\/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=206042&amp;ori=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">constitucionalidade da Lei de Cotas em resposta \u00e0&nbsp;Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 186<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A realiza\u00e7\u00e3o das bancas ocorre preferencialmente em formato presencial com cinco membros de diferentes pertencimentos raciais. O procedimento baseia-se apenas nas caracter\u00edsticas fenot\u00edpicas, ou seja, as marcas vis\u00edveis no corpo (pele, cabelo, formato do nariz), sem levar em considera\u00e7\u00e3o caracter\u00edsticas ancestrais. As bancas, portanto, possibilitam ao candidato pensar n\u00e3o apenas no modo como se veem (autodeclara\u00e7\u00e3o), mas na forma&nbsp;como s\u00e3o vistos socialmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Lugar de reflex\u00e3o<br><\/strong>\u201cO que a gente percebe \u00e9 que,&nbsp;\u00e0s vezes, a heteroidentifica\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como um instrumento&nbsp;de controle sobre uma ideia de fraude. Mas, para muitos estudantes,&nbsp;tamb\u00e9m representa um lugar de reflex\u00e3o&nbsp;sobre a identidade racial, tanto para aqueles que n\u00e3o s\u00e3o alvo&nbsp;da pol\u00edtica de a\u00e7\u00e3o afirmativa quanto para os estudantes&nbsp;negros (pretos&nbsp;ou pardos), que, muitas vezes, t\u00eam d\u00favidas&nbsp;sobre a sua pr\u00f3pria identidade\u201d, comenta Ednilson.<\/p>\n\n\n\n<p>O professor lembra,&nbsp;ainda, que alguns candidatos&nbsp;n\u00e3o&nbsp;se sentem encorajados&nbsp;a concorrer \u00e0s&nbsp;vagas reservadas porque temem o&nbsp;resultado do processo:&nbsp;\u201cMuitas vezes, pessoas pretas e pardas&nbsp;ficam com receio de concorrer&nbsp;n\u00e3o porque&nbsp;n\u00e3o se veem como tal, mas porque temem que algo d\u00ea&nbsp;errado no processo e n\u00e3o consigam a vaga\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para lidar com esse problema, a&nbsp;CPAAI mant\u00e9m uma sala de espera, um espa\u00e7o de acolhimento e visualiza\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de pertencimento. \u201cA gente produz os materiais, promove&nbsp;uma&nbsp;conversa nessa sala de espera, justamente para que essas pessoas n\u00e3o tenham medo e se sintam confort\u00e1veis em concorrer e ocupar os espa\u00e7os que s\u00e3o delas&#8221;, justifica Ednilson.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que os olhos veem e o que \u00e9 ser pardo<\/strong><br>Com o objetivo de ampliar o&nbsp;debate sobre identidade racial e pol\u00edticas afirmativas, o semin\u00e1rio abrigar\u00e1 o lan\u00e7amento do livro&nbsp;<em>A ra\u00e7a que os olhos veem: como controlar a subjetividade dos procedimentos de heteroidentifica\u00e7\u00e3o,<\/em>&nbsp;de autoria do pr\u00f3prio Rodrigo Ednilson em parceria com Tiago Heliodoro Nascimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A obra demonstra que, embora geneticamente n\u00e3o haja distin\u00e7\u00e3o e todos sejam mesti\u00e7os \u2013 como afirmam certos campos do pensamento social e da gen\u00e9tica \u2013, a leitura dos corpos \u00e9 capaz de enxergar a ra\u00e7a por meio do fen\u00f3tipo. \u201c\u00c9 essa a mat\u00e9ria-prima da heteroidentifica\u00e7\u00e3o, a capacidade de identificar pessoas negras e brancas e de fazer distin\u00e7\u00f5es\u201d, explica Ednilson. Os autores sugerem a cria\u00e7\u00e3o de&nbsp;um modelo padronizado e mais uniforme&nbsp;para reduzir&nbsp;a subjetividade do processo&nbsp;nas diferentes institui\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p><em><\/em>Outra obra que ser\u00e1 lan\u00e7ada durante o evento \u00e9&nbsp;<em>A quest\u00e3o do pardo no Brasil<\/em>, organizada&nbsp;pela professora e pesquisadora Fl\u00e1via Rios, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Trata-se de&nbsp;uma colet\u00e2nea de artigos sobre a identidade racial de&nbsp;pessoas que se identificam como pardas. A obra&nbsp;retrata a pluralidade e a complexidade do que significa ser pardo no Brasil e&nbsp;aprofunda&nbsp;a discuss\u00e3o de temas como&nbsp;constru\u00e7\u00e3o social do conceito de ra\u00e7a, mito da democracia racial, cotas, colorismo, divisionismo e unidade.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":5555,"template":"","class_list":["post-5553","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/5553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5555"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}