{"id":5571,"date":"2025-07-11T15:27:00","date_gmt":"2025-07-11T18:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/?post_type=news&#038;p=5571"},"modified":"2025-09-16T11:06:11","modified_gmt":"2025-09-16T14:06:11","slug":"permanencia-no-ensino-superior-e-desafio-comum-a-todas-as-instituicoes-da-america-latina","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/institucional\/permanencia-no-ensino-superior-e-desafio-comum-a-todas-as-instituicoes-da-america-latina\/","title":{"rendered":"Perman\u00eancia no ensino superior \u00e9 desafio comum a todas as institui\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 tempo de, na Am\u00e9rica Latina, trabalharmos para fortalecer o entendimento humanista da educa\u00e7\u00e3o, com vistas a uma educa\u00e7\u00e3o que v\u00e1 al\u00e9m da mera forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o&nbsp;de obra qualificada para o mercado de trabalho, perspectiva pr\u00f3pria do neoliberalismo. Opondo-se a essa perspectiva, Francesc Pedr\u00f3, diretor do Instituto Internacional para a Educa\u00e7\u00e3o Superior na Am\u00e9rica Latina e no Caribe (Iesalc) da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), afirma que, \u201cda perspectiva da Unesco, o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e9 antes de tudo um direito a se tornar um ser humano\u201d. Para ele, a universidade deve se devotar, antes de tudo, aos alunos de suas comunidades. \u201cNosso objetivo principal tem de ser contribuir para a&nbsp;humaniza\u00e7\u00e3o dos nossos alunos. Precisamos garantir que eles se tornar\u00e3o seres humanos melhores.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Sob essa perspectiva, Pedr\u00f3 atribui, no contexto latino-americano (em que, hoje, \u201ca cada dois estudantes de gradua\u00e7\u00e3o, apenas um conclui o ensino superior\u201d), uma import\u00e2ncia particular \u00e0 autonomia universit\u00e1ria. O entendimento \u00e9 o de que ela, especialmente, \u00e9 imprescind\u00edvel para que se possa garantir esse aspecto humanista da educa\u00e7\u00e3o superior \u2013 ao lado do car\u00e1ter p\u00fablico, gratuito e de qualidade do ensino oferecido por nossas universidades. \u201cNa Unesco, consideramos a educa\u00e7\u00e3o superior como um direito, uma parte do direito universal \u00e0 educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cE a miss\u00e3o das universidades n\u00e3o \u00e9 apenas fornecer \u2018bem\u2019 o ensino, mas, tamb\u00e9m, garantir que os alunos [<em>em face de suas especificidades humanas, ainda assim<\/em>] aprendam.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, defende Francesc Pedr\u00f3, o ensino n\u00e3o deve nem pode ser est\u00e1tico, tampouco preparado \u00e0 revelia da especificidade dos sujeitos que v\u00e3o aprender; deve, ao contr\u00e1rio, ser adaptado a eles. \u201cN\u00e3o h\u00e1 outro pa\u00eds na Am\u00e9rica Latina que tenha endossado essa ideia [<em>de uma educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, gratuita e de qualidade, voltada para a forma\u00e7\u00e3o, antes que profissional, humana<\/em>] como o Brasil\u201d, continuou o dirigente, destacando os bons resultados obtidos pelo pa\u00eds&nbsp;nos \u00faltimos anos no campo das a\u00e7\u00f5es afirmativas. \u201cAs universidades brasileiras brilham na regi\u00e3o como exemplos de como o ensino superior de qualidade deveria ser\u201d, salientou. \u201cTemos evid\u00eancia dos bons resultados das a\u00e7\u00f5es afirmativas no Brasil. S\u00e3o resultados muito promissores.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essas observa\u00e7\u00f5es&nbsp;foram feitas na mesa de encerramento&nbsp;da Latin America Universities Summit, a c\u00fapula das&nbsp;universidades latino-americanas realizada&nbsp;nesta semana na UFMG. O&nbsp;Iesalc, instituto que Francesc Pedr\u00f3 dirige na Unesco, realiza estudos, promove redes e auxilia pa\u00edses, como o Brasil,&nbsp;e institui\u00e7\u00f5es,&nbsp;como a UFMG,&nbsp;na formula\u00e7\u00e3o e na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o superior. Sob essa perspectiva, o ponto alto de sua comunica\u00e7\u00e3o ocorreu quando Pedr\u00f3, a despeito de seus elogios \u00e0s pol\u00edticas afirmativas realizadas no Brasil, sugeriu que obter, nas universidades, percentuais de alunos que sejam meramente representativos dos grupos marginalizados de nossa hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 suficiente para se possa falar em plena inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Sandra-Goulart-Almeida-1-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Sandra: 'educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mercadoria, \u00e9 direito humano e bem p\u00fablico, portanto n\u00e3o pode ser negociada'\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tSandra: &#8216;educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mercadoria, \u00e9 direito humano e bem p\u00fablico, portanto n\u00e3o pode ser negociada&#8217;\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Jebs Lima | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cVamos imaginar que, na regi\u00e3o de uma universidade, voc\u00ea tenha 30% de um grupo sub-representado na educa\u00e7\u00e3o superior. Ora, se essa universidade tiver a inten\u00e7\u00e3o de ter 30% de seu conjunto de alunos compostos por membros desse grupo sub-representado, ela n\u00e3o estar\u00e1 fazendo esfor\u00e7os para a equidade, ela estar\u00e1 apenas reproduzindo a realidade de sub-representa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existe l\u00e1 fora. Agora, se a inten\u00e7\u00e3o for ter um percentual acima dos 30%, a\u00ed, sim, ela estar\u00e1 fazendo um bom esfor\u00e7o para a equidade\u201d, afirmou o diretor. Por fim, ele defendeu que, mais que se comparar entre si, universidades devem olhar para suas pr\u00f3prias m\u00e9tricas e para as sociedades em que est\u00e3o inseridas. \u201cQuantos [<em>dos que vivem em nosso entorno<\/em>] est\u00e3o fora de nossos c\u00e1lculos, e quantos est\u00e3o dentro? Esse \u00e9 o ponto.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Francesc Pedr\u00f3 comp\u00f4s a mesa de encerramento da c\u00fapula de universidades latino-americanas ao lado de Ulysses Tavares Teixeira, diretor de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep), que apresentou dados estat\u00edsticos da realidade educacional brasileira, e da professora em\u00e9rita da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o (FaE) Nilma Lino Gomes, que fez uma comunica\u00e7\u00e3o sobre as possibilidades e dificuldades da rela\u00e7\u00e3o entre ensino superior e direitos humanos no Brasil. Nilma&nbsp;foi ministra-chefe da Secretaria de Pol\u00edticas de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial do Brasil e ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A media\u00e7\u00e3o da mesa&nbsp;foi feita pela reitora Sandra Regina Goulart Almeida, que voltou a enfatizar o princ\u00edpio da&nbsp;educa\u00e7\u00e3o superior como um direito humano e um bem p\u00fablico \u2013 um direito de todos&nbsp;e que, portanto, deve ser tamb\u00e9m um dever do estado, no sentido de financiar, regular e avaliar. \u201cEntender a educa\u00e7\u00e3o superior como um direito humano \u00e9 entender que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser uma mercadoria para ser negociada\u201d, argumentou a reitora, retomando um ponto central em todas as comunica\u00e7\u00f5es da mesa: o combate \u00e0 mercantiliza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA educa\u00e7\u00e3o superior como um direito vai muito al\u00e9m do acesso: ela sinaliza para uma op\u00e7\u00e3o emancipat\u00f3ria e transformadora\u201d, disse a reitora, lembrando o direcionamento das atuais pol\u00edticas estudantis para a ideia da perman\u00eancia. \u201cEsse \u00e9 o grande desafio para n\u00e3o s\u00f3 o nosso pa\u00eds, mas para v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, que compartilham conosco desafios relacionados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior\u201d, disse. \u201cO acesso \u00e9 imprescind\u00edvel, mas precisamos encontrar modos de manter&nbsp;na universidade esses novos sujeitos que entram.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre outros pontos, Sandra Goulart reiterou a necessidade de se expandir o n\u00famero de matr\u00edculas nas universidades. \u201cSabemos que hoje, em nosso pa\u00eds, estar na universidade \u00e9 um fator de mobilidade social; \u00e9 motivo de inser\u00e7\u00e3o e de transforma\u00e7\u00e3o das pessoas&#8221;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O evento terminou com uma apresenta\u00e7\u00e3o do&nbsp;reitor&nbsp;Eduardo Alfonso, da Universidad de la Costa, da Col\u00f4mbia. A institui\u00e7\u00e3o que dirige, baseada em Barranquilla,&nbsp;ser\u00e1 a anfitri\u00e3 da pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o da&nbsp;Latin America Universities Summit, em maio de 2026.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Nilma-Lino-Gomes-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Nilma: 'direitos humanos s\u00e3o mais urgentes do que nunca'\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tNilma: &#8216;direitos humanos s\u00e3o mais urgentes do que nunca&#8217;\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Jebs Lima | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Entrevista \/ Nilma Lino Gomes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">&#8216;Tudo passa pela reeduca\u00e7\u00e3o&#8217;<\/h3>\n\n\n\n<p><em><\/em><em>Antes de sua comunica\u00e7\u00e3o, a professora em\u00e9rita da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o (FaE) Nilma Lino Gomes conversou com o Portal UFMG sobre as implica\u00e7\u00f5es de pensar a educa\u00e7\u00e3o como direito humano em um pa\u00eds complexo como o Brasil \u2013 particularmente, no atual momento de recrudescimento da extrema-direita no mundo e de tantas iniciativas de ataque \u00e0 ordem econ\u00f4mica mundial. Leia uma&nbsp;s\u00edntese de suas observa\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ensino superior e direitos humanos: uma rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel?<\/strong><br>\u201cDe fato, estamos em um contexto mundial muito agressivo, com guerras, recrudescimento da viol\u00eancia, aumento do neofascismo. Tudo isso tem afetado o Brasil; vivemos um momento em que, internamente, essas for\u00e7as opressoras est\u00e3o crescendo. E est\u00e3o com representatividade pol\u00edtica, o que \u00e9 mais s\u00e9rio e grave. Ent\u00e3o eu acho \u00e9 que n\u00f3s nunca estivemos em um momento em que a quest\u00e3o dos direitos humanos, e a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o como direito humano, fosse t\u00e3o urgente quanto agora. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 alvo certo para quem vai na contram\u00e3o dos direitos humanos, principalmente se ela \u00e9 uma educa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, que luta por equidade, uma educa\u00e7\u00e3o de reconhecimento \u00e0 diversidade. Tudo isso remonta \u00e0 inflex\u00e3o que ocorreu no Brasil e no ensino superior brasileiro a partir dos anos 2000.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ponto de virada<\/strong><br>\u201cDesde os anos 2000, temos vivido, no Brasil, uma s\u00e9rie de pol\u00edticas educacionais de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e de educa\u00e7\u00e3o superior voltadas para a equidade. Pol\u00edticas afirmativas, pol\u00edticas de inclus\u00e3o, aumento de universidades federais em regi\u00f5es que antes eram mais desassistidas. Ent\u00e3o esse \u00e9 o cen\u00e1rio: temos, no Brasil, um momento extremamente rico por um lado, de inciativas para a educa\u00e7\u00e3o superior que primam por uma abertura maior para os direitos humanos (inclusive, em meio a esse processo, come\u00e7amos a ter pol\u00edticas acad\u00eamicas de direitos humanos dentro das pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es universit\u00e1rias, coisa que anteriormente n\u00e3o havia), e, ao mesmo tempo, vivemos, por outro lado, em uma sociedade em que for\u00e7as realizam uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es que&nbsp;v\u00e3o na contram\u00e3o disso. O que posso dizer \u00e9 que \u00e9 urgente fazer essa discuss\u00e3o. A gente ainda n\u00e3o conseguiu, na minha opini\u00e3o, avan\u00e7ar o quanto a nossa realidade social exige.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Resist\u00eancia neoliberal aos avan\u00e7os humanistas<\/strong><br>\u201cSim, [<em>a resist\u00eancia aos avan\u00e7os sociais que tentamos promover no Brasil<\/em>] se manifesta muito fortemente. E \u00e9 tamb\u00e9m por isso que eu defendo que n\u00e3o basta a gente incluir [<em>os grupos minorit\u00e1rios na Universidade<\/em>], e nem mesmo basta a gente apenas avan\u00e7ar na [<em>cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para facilitar a<\/em>] perman\u00eancia, se a gente n\u00e3o reestruturar, tamb\u00e9m, as nossas institui\u00e7\u00f5es por dentro. A gente precisa rever muita coisa: curr\u00edculo, normas; n\u00f3s precisamos pensar em acolhimento psicossocial, afetivo. Precisamos avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de mais redes de solidariedade.\u201d<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Nilma-Lino-Gomes-1-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Nilma: 'n\u00e3o basta incluir; institui\u00e7\u00f5es precisam se reestruturar internamente'\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tNilma: &#8216;n\u00e3o basta incluir; institui\u00e7\u00f5es precisam se reestruturar internamente&#8217;\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Jebs Lima | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Parte da ci\u00eancia\u2019<br><\/strong>\u201cPrecisamos inclusive superar a ideia de que todas essas quest\u00f5es [<em>pol\u00edticas, burocr\u00e1ticas, normativas<\/em>] n\u00e3o fazem parte da ci\u00eancia. Nas universidades, muitas vezes, parece que se est\u00e1 fazendo duas discuss\u00f5es separadas: uma \u00e9 a discuss\u00e3o da inclus\u00e3o da diversidade, das a\u00e7\u00f5es afirmativas; outra \u00e9 a discuss\u00e3o cient\u00edfica, da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, da produ\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia. Ora, se a universidade est\u00e1 se abrindo e se democratizando, se a universidade est\u00e1 se abrindo em uma perspectiva dos direitos humanos, isso significa que os humanos \u2018diferentes\u2019 est\u00e3o chegando com toda a sua diversidade, com os seus saberes, a sua corporeidade, a sua concep\u00e7\u00e3o de ci\u00eancia. Tudo isso impacta a gente de fora para dentro e de dentro para fora. O que a gente devolve para a sociedade, com essas mudan\u00e7as todas que a gente est\u00e1 vivendo como institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ouvir as bases<\/strong><br>\u201cEsse \u00e9 um momento muito desafiador para todos n\u00f3s, e a gente precisa conversar mais sobre isso. Inclusive, conversar mais com os movimentos sociais, com os grupos culturais, com os sujeitos dos coletivos diversos. Essas s\u00e3o pessoas que, inclusive, vivem muito mais hist\u00f3rias de opress\u00e3o que muitos de n\u00f3s, que estamos dentro da universidade, e sabem fazer muito mais resist\u00eancia a essas situa\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o que n\u00f3s, que,&nbsp;dentro da universidade, muitas vezes nos encontramos perplexos e im\u00f3veis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pluralidade do movimento negro<\/strong><br>\u201cDentro do movimento negro h\u00e1 toda uma diversidade de formas de luta, uma diversidade de experi\u00eancias; grupos mais novos, grupos mais antigos&#8230; De todo modo, h\u00e1 alguns acordos, alguns pontos comuns. O primeiro ponto, \u00e9 claro, \u00e9 a luta contra o racismo, a luta pela supera\u00e7\u00e3o do racismo. Outro ponto que \u00e9 comum na luta das mais diversas organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro \u00e9 o entendimento da import\u00e2ncia das a\u00e7\u00f5es afirmativas como mudan\u00e7a, uma inflex\u00e3o mesmo ocorrida na sociedade brasileira e nas pol\u00edticas nacionais de forma geral, e n\u00e3o apenas no que diz respeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o superior. Um terceiro ponto comum das organiza\u00e7\u00f5es do movimento negro \u00e9 a luta pelo reconhecimento da educa\u00e7\u00e3o como um direito, em especial a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, b\u00e1sica ou superior. E um outro ponto comum \u00e9 a luta pelo reconhecimento de personalidades negras que constru\u00edram a nossa hist\u00f3ria&nbsp;e que, durante muito tempo, n\u00e3o tiveram o reconhecimento da sociedade como sujeitos que ajudaram a transformar o Brasil. Hoje, eu vejo que h\u00e1 pelo menos esses quatro pontos como uma quest\u00e3o comum, dentro do movimento negro. A partir da\u00ed, surgem as demandas particulares, as pautas locais, as quest\u00f5es regionais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Movimento educador<\/strong><br>\u201cEu tenho uma tese: o movimento negro \u00e9 um movimento educador. Ele \u00e9 um \u2018movimento negro educador\u2019, pois foi ele que nos reeducou, como sociedade brasileira, e tamb\u00e9m como universidade brasileira, a entender o que \u00e9, de fato, o racismo&nbsp;e a entender a import\u00e2ncia que ter\u00e1 a supera\u00e7\u00e3o do racismo para toda a sociedade, e n\u00e3o somente para a popula\u00e7\u00e3o negra. Eu, como educadora, entendo que tudo passa por uma quest\u00e3o de reeduca\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"large\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"330\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/Ulysses-Teixeira-Sandra-Goulart-Francesc-Pedro-e-Nilma-Lino-Gomes-864x445.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Ulysses Tavares Teixeira, diretor de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior do Inep, Sandra Goulart Almeida, reitora da UFMG, Francesc Pedr\u00f3, diretor do Iesalc, e Nilma Lino Gomes, professora em\u00e9rita da UFMG, compuseram a mesa da sess\u00e3o de encerramento da c\u00fapula\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tUlysses Tavares Teixeira, diretor de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Superior do Inep, Sandra Goulart Almeida, reitora da UFMG, Francesc Pedr\u00f3, diretor do Iesalc, e Nilma Lino Gomes, professora em\u00e9rita da UFMG, compuseram a mesa da sess\u00e3o de encerramento da c\u00fapula\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tFoto: Raphaella Dias | UFMG\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n","protected":false},"featured_media":5576,"template":"","class_list":["post-5571","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/5571","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5576"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}