{"id":6036,"date":"2025-06-09T10:28:54","date_gmt":"2025-06-09T13:28:54","guid":{"rendered":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/?post_type=news&#038;p=6036"},"modified":"2025-08-27T10:31:41","modified_gmt":"2025-08-27T13:31:41","slug":"artigo-de-pesquisadores-da-ufmg-explica-por-que-nao-ha-pinguins-no-hemisferio-norte","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/artigo-de-pesquisadores-da-ufmg-explica-por-que-nao-ha-pinguins-no-hemisferio-norte\/","title":{"rendered":"Artigo de pesquisadores da UFMG explica por que n\u00e3o h\u00e1 pinguins no Hemisf\u00e9rio Norte"},"content":{"rendered":"\n<p>Pinguins habitam desde as regi\u00f5es geladas da Ant\u00e1rtida at\u00e9 \u00e1reas tropicais, como as Ilhas Gal\u00e1pagos. No entanto, nunca foram vistos naturalmente no Hemisf\u00e9rio Norte \u2013 nem mesmo como f\u00f3sseis. Se os pinguins s\u00e3o excelentes nadadores e capazes de viver em diferentes tipos de clima, por que eles s\u00e3o encontrados apenas no Hemisf\u00e9rio Sul? Um estudo da UFMG&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jbi.15179\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado nesta ter\u00e7a no Journal of Biogeography<\/a>&nbsp;investigou e explica o motivo por tr\u00e1s dessa distribui\u00e7\u00e3o curiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Intitulado&nbsp;<em>Environmental and evolutionary forces shaping penguin geographic limits<\/em>,&nbsp;o artigo reuniu dados de 17 esp\u00e9cies de pinguins ao redor do mundo e usou modelos ecol\u00f3gicos para simular onde eles poderiam viver com base em tr\u00eas fatores principais: temperatura, produtividade dos oceanos (ou seja, a quantidade de alimento dispon\u00edvel) e acessibilidade f\u00edsica das regi\u00f5es. Foi analisada tamb\u00e9m a hist\u00f3ria evolutiva dos pinguins para verificar se suas prefer\u00eancias ambientais foram herdadas de ancestrais.<\/p>\n\n\n\n\n\t<figure data-size=\"small\"\n\t\tclass=\"group space-y-2 data-[size=small]:w-[21rem] sm:data-[size=medium]:w-[40rem] lg:data-[size=small]:float-left lg:data-[size=small]:mr-8 mx-auto\">\n\t\t\t\t\t<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"302\" height=\"405\" src=\"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/app\/uploads\/2025\/08\/142d4bc63431de5168b6f6826bc37b3e_17492395138027_1109254456.jpg\" class=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] group-data-[size=small]:h-[29.75rem] sm:group-data-[size=medium]:w-[40rem] sm:group-data-[size=small]:h-[27.8125rem] lg:group-data-[size=medium]:h-[27.8125rem] group-data-[size=large]:w-full group-data-[size=large]:h-[9.875rem] md:group-data-[size=large]:h-[27.8125rem] rounded object-fill\" alt=\"\" \/>\t\t\t\t<div\n\t\t\tclass=\"group-data-[size=small]:w-[21rem] px-3 pt-3 pb-6 md:px-6 group-data-[size=small]:px-3 text-neutral-300 text-xs md:text-sm\">\n\t\t\t<figcaption title=\"Amanda Mour\u00e3o Santos, doutoranda do Departamento do Zoologia da UFMG\n\" class=\"block line-clamp-4 md:line-clamp-3\">\n\t\t\t\tAmanda Mour\u00e3o Santos, doutoranda do Departamento do Zoologia da UFMG\n\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<cite\n\t\t\t\tclass=\"relative block not-italic after:absolute after:left-0 after:right-0 after:-bottom-3 after:h-px after:bg-neutral-100\">\n\t\t\t\tacervo pessoal\t\t\t<\/cite>\n\t\t<\/div>\n\t<\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cNosso estudo revelou que o Hemisf\u00e9rio Sul \u00e9 muito mais adequado para os pinguins\u201d, afirma Amanda Mour\u00e3o Santos, doutoranda no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Zoologia&nbsp;da UFMG. \u201cIsso n\u00e3o significa que n\u00e3o existam locais apropriados no Norte \u2013 alguns pontos isolados, como a costa da Calif\u00f3rnia e partes do Jap\u00e3o e da R\u00fassia, at\u00e9 poderiam abrigar essas aves; a quest\u00e3o \u00e9 que entre o Sul e o Norte existe uma enorme barreira: a zona tropical, onde as \u00e1guas s\u00e3o quentes demais e pobres em alimento para os pinguins. Essa faixa funciona como um \u2018deserto oce\u00e2nico\u2019 para eles, impedindo sua travessia\u201d, explica a doutoranda.<\/p>\n\n\n\n<p>A autoria do estudo \u00e9 de Amanda e de seu orientador na UFMG, o professor do Instituto de Geoci\u00eancias (IGC) Ubirajara de Oliveira. O ponto central do trabalho foi a descoberta de que os pinguins conservam suas prefer\u00eancias ambientais ao longo do tempo: ainda que sejam&nbsp;capazes&nbsp;de viajar longas dist\u00e2ncias, eles tendem a permanecer em ambientes semelhantes aos ocupados por seus antepassados. Esse fen\u00f4meno, chamado de conserva\u00e7\u00e3o filogen\u00e9tica de nicho, se refere \u00e0 tend\u00eancia de esp\u00e9cies manterem certas caracter\u00edsticas ecol\u00f3gicas herdadas \u2013 como a prefer\u00eancia por \u00e1guas frias e ricas em alimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As consequ\u00eancias do aquecimento global<\/strong><br>Segundo os autores do estudo, essas prefer\u00eancias ambientais dos pinguins s\u00e3o \u201cherd\u00e1veis\u201d, ou seja, passam de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, e limitam a capacidade dos animais de explorar ambientes diferentes. Um bom exemplo \u00e9 o fato de que mesmo as aves que vivem em \u00e1reas tropicais, como os pinguins de Gal\u00e1pagos, dependem de correntes oce\u00e2nicas frias para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autores alertam que esse comportamento conservador pode ter consequ\u00eancias importantes em um mundo em transforma\u00e7\u00e3o. Com o aquecimento global, os h\u00e1bitats que os pinguins ocupam podem mudar ou at\u00e9 desaparecer. Como essas aves t\u00eam uma tend\u00eancia evolutiva a manter seus h\u00e1bitos e seu comportamento em rela\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio, voltando \u00e0 sua col\u00f4nia de origem ano ap\u00f3s ano, elas podem ter dificuldade de se adaptar a novas condi\u00e7\u00f5es. Isso as torna especialmente vulner\u00e1veis \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com risco de queda populacional ou at\u00e9 extin\u00e7\u00e3o local, se n\u00e3o encontrarem ambientes adequados para se alimentar e reproduzir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm resumo, a aus\u00eancia dos pinguins no Hemisf\u00e9rio Norte \u00e9 explicada n\u00e3o s\u00f3 por barreiras f\u00edsicas e clim\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m por limita\u00e7\u00f5es herdadas ao longo de sua evolu\u00e7\u00e3o. Compreender essas restri\u00e7\u00f5es nos ajuda a prever como esses animais podem (ou n\u00e3o) responder \u00e0s mudan\u00e7as em curso no planeta e refor\u00e7a a urg\u00eancia de proteger os ambientes marinhos que eles ainda conseguem chamar de lar\u201d, conclui Amanda. O artigo&nbsp;pode ser lido, com acesso livre,&nbsp;<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jbi.15179\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">no site do Journal of Biogeography<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"\ud83d\udd2c Por que os pinguins n\u00e3o vivem no Hemisf\u00e9rio Norte? \ud83c\udf0e\ud83d\udc27\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WSkmCzIVHNo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","class_list":["post-6036","news","type-news","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/6036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}