{"id":6547,"date":"2025-04-07T11:55:00","date_gmt":"2025-04-07T14:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/?post_type=news&#038;p=6547"},"modified":"2025-08-29T11:56:34","modified_gmt":"2025-08-29T14:56:34","slug":"custo-dos-alimentos-restringe-consumo-de-dietas-saudaveis-pela-populacao-mais-vulneravel","status":"publish","type":"news","link":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/comunicacao\/noticias\/pesquisa-e-inovacao\/custo-dos-alimentos-restringe-consumo-de-dietas-saudaveis-pela-populacao-mais-vulneravel\/","title":{"rendered":"Custo dos alimentos restringe consumo de dietas saud\u00e1veis pela popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p>Os pre\u00e7os dos alimentos saud\u00e1veis dificultam a op\u00e7\u00e3o por essa dieta, especialmente no caso das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. E diversos fatores, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, podem afetar&nbsp;os valores e diminuir o consumo desses alimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA seca ou at\u00e9 chuva em excesso causam problemas na produ\u00e7\u00e3o, afetam a distribui\u00e7\u00e3o e os alimentos n\u00e3o chegam ao consumidor, ou chegam com pre\u00e7os muito mais alto\u201d, afirma a pesquisadora Tha\u00eds Cristina Marquezine Caldeira, autora de tese rec\u00e9m-defendida no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade P\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo utilizou dados da Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF) 2017\/18, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). A POF \u00e9 uma pesquisa peri\u00f3dica e transversal que avalia o consumo, os gastos e a renda das fam\u00edlias, fornecendo informa\u00e7\u00f5es sobre as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram analisadas dietas baseadas no consumo atual da popula\u00e7\u00e3o, dietas&nbsp; baseadas nas recomenda\u00e7\u00f5es do Guia Alimentar para a popula\u00e7\u00e3o brasileira (GAPB) e dietas baseadas nas recomenda\u00e7\u00f5es do EAT-Lancet. Notou-se que gr\u00e3os e vegetais ricos em amido (25,4%), alimentos ultraprocessados (22,5%), alimentos proteicos \u2013 como aves, frutos do mar, ovos, leguminosas e oleaginosas \u2013 (13,8%) e carne vermelha (10,5%) representam aproximadamente 70% das calorias na dieta atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos&nbsp;estudos mencionados na tese mostra que fam\u00edlias de baixa renda, especialmente em \u00e1reas rurais e em regi\u00f5es menos desenvolvidas do pa\u00eds, enfrentam barreiras financeiras significativas para adotar dietas mais saud\u00e1veis, como as recomendadas pela Comiss\u00e3o EAT-Lancet. Esses desafios s\u00e3o agravados pelo aumento do custo dos alimentos minimamente processados e frescos, pela crescente depend\u00eancia de produtos ultraprocessados e pela distribui\u00e7\u00e3o desigual de recursos entre as regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa identificou que o custo m\u00e9dio da dieta foi de R$0,65\/100 kcal para a popula\u00e7\u00e3o total, com varia\u00e7\u00f5es observadas entre os n\u00edveis de renda, regi\u00f5es geogr\u00e1ficas e \u00e1reas domiciliares. Um custo menor foi observado no territ\u00f3rio de menor renda (R$0,60\/100 kcal) em compara\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio de maior renda (R$0,70\/100 kcal).<\/p>\n\n\n\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o por regi\u00f5es, o Nordeste apresentou o menor custo (R$0,58\/100 kcal) em compara\u00e7\u00e3o com o Sudeste (R$0,71\/100 kcal), e nas \u00e1reas rurais o custo foi mais baixo (R$0,53\/100 kcal) do que as \u00e1reas urbanas (R$0,69\/100 kcal).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inseguran\u00e7a alimentar<\/strong><br>Dietas saud\u00e1veis e sustent\u00e1veis s\u00e3o aquelas adequadas para o corpo e para o planeta. Elas s\u00e3o baseadas no consumo de frutas, hortali\u00e7as e alimentos de origem vegetal, como gr\u00e3os e leguminosas, e na redu\u00e7\u00e3o do consumo de alimentos ultraprocessados.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), os pre\u00e7os globais dos alimentos aumentaram 11% em 2022, tornando uma dieta saud\u00e1vel inacess\u00edvel para 2,83 bilh\u00f5es de pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Graduada em Nutri\u00e7\u00e3o, mestra e doutora em Sa\u00fade P\u00fablica pela UFMG,&nbsp;Tha\u00eds Caldeira ressalta que, no Brasil, o alto custo da dieta&nbsp;EAT-Lancet&nbsp;em compara\u00e7\u00e3o com dietas t\u00edpicas cria desafios substanciais para sua ado\u00e7\u00e3o, especialmente entre fam\u00edlias de baixa renda. O aumento dos pre\u00e7os dos alimentos frescos e&nbsp;minimamente processados&nbsp;dificulta o consumo, o que evidencia a interse\u00e7\u00e3o entre a inseguran\u00e7a alimentar global e as disparidades socioecon\u00f4micas locais.<\/p>\n\n\n\n<p>O custo da dieta est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 sua composi\u00e7\u00e3o. Dietas de menor custo tendem a incluir menos carnes, latic\u00ednios, hortali\u00e7as e frutas, e os pre\u00e7os mais altos tornam esses itens inacess\u00edveis para grupos de baixa renda. Eleva-se ent\u00e3o o consumo de carne vermelha, a\u00e7\u00facar e alimentos ultraprocessados.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/ufmg.br\/thumbor\/cwNFY_lPOTiqfbCVSk63PdWaYhQ=\/144x0:968x1265\/352x540\/https:\/\/ufmg.br\/storage\/1\/1\/8\/e\/118eea961650105709ff7028800438b8_17440519275916_1533382904.jpeg\" alt=\"Tha\u00eds Caldeira:\">Tha\u00eds Caldeira: consumo di\u00e1rio\u00a0de alimentos de origem vegetal fornece nutrientes e vitaminas e previne\u00a0doen\u00e7as<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto no meio ambiente<br><\/strong>A tese ressalta que a produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 respons\u00e1vel hoje por at\u00e9 35% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa e impacta diretamente a biodiversidade e o uso da \u00e1gua. E mudan\u00e7as no padr\u00e3o alimentar, como o aumento no consumo de ultraprocessados e prote\u00ednas animais, elevam esse impacto, especialmente em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fabrica\u00e7\u00e3o de alimentos ultraprocessados envolve processos industriais intensivos, que consomem muita energia e recursos naturais, e ingredientes comumente utilizados nesses alimentos, como milho, soja e cana de a\u00e7\u00facar, est\u00e3o associados ao desmatamento e \u00e0 perda de biodiversidade.&nbsp;\u201cMuitas vezes, esses alimentos dependem de embalagens pl\u00e1sticas e outros materiais que demandam energia para produ\u00e7\u00e3o e descarte. O transporte desses produtos, muitas vezes por longas dist\u00e2ncias, tamb\u00e9m contribui para as emiss\u00f5es\u201d, comenta a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas animais, \u00e9 preciso ter em conta que a pecu\u00e1ria \u00e9 uma das maiores fontes de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa, especialmente o metano, liberado durante a digest\u00e3o dos ruminantes, como os bovinos. Al\u00e9m disso, a cria\u00e7\u00e3o de animais requer grandes \u00e1reas de terra para pastagem e cultivo de gr\u00e3os para a ra\u00e7\u00e3o, o que frequentemente leva ao desmatamento. Para Tha\u00eds, \u201cquando temos esses fatores combinados, temos um grande desafio para a sustentabilidade ambiental\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Alimentos saud\u00e1veis x ultraprocessados<br><\/strong>O consumo di\u00e1rio de frutas, hortali\u00e7as, gr\u00e3os e leguminosas gera diversos benef\u00edcios para a sa\u00fade, como o aumento de nutrientes e vitaminas no organismo, o aux\u00edlio direto na preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis (DCNT) e a melhora geral na qualidade de vida, segundo Tha\u00eds Caldeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, tem crescido o consumo de alimentos ultraprocessados, que, quando consumidos em excesso, contribuem para problemas como a obesidade. Estudos mostram tamb\u00e9m que o consumo excessivo de carnes vermelhas pode levar ao aumento do colesterol e at\u00e9 a maior chance de desenvolver doen\u00e7as como c\u00e2ncer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando consumidos em excesso, alimentos ultraprocessados, como os refrigerantes e salgadinhos, est\u00e3o associados a maior quantidade de calorias vazias, porque eles t\u00eam alta concentra\u00e7\u00e3o cal\u00f3rica e pouqu\u00edssimos nutrientes. A gente diz que \u00e9 um consumo sem necessidade, porque n\u00e3o nutre o corpo, cria uma saciedade moment\u00e2nea, que rapidamente \u00e9 perdida\u201d, pontua Tha\u00eds Caldeira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade<br><\/strong>Destacar as poss\u00edveis conex\u00f5es entre sa\u00fade, sustentabilidade e economia, segundo a pesquisadora, possibilita contribuir para o debate cont\u00ednuo sobre a constru\u00e7\u00e3o de sistemas alimentares mais respons\u00e1veis e resilientes. Tha\u00eds defende a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que incentivem a sa\u00fade e a sustentabilidade da alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil. Uma pol\u00edtica essencial j\u00e1 em vigor \u00e9 a obrigat\u00f3ria rotulagem de advert\u00eancia em alimentos processados. Esfor\u00e7os adicionais, como a oferta de incentivos fiscais para alimentos saud\u00e1veis simultaneamente \u00e0 taxa\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o saud\u00e1veis, poderiam promover uma dieta mais saud\u00e1vel, sustent\u00e1vel e justa para a popula\u00e7\u00e3o brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que parte principalmente do poder p\u00fablico, da pol\u00edtica, fazer uma mudan\u00e7a nesse cen\u00e1rio do pre\u00e7o dos alimentos para que todos possam ter acesso a eles. Hoje \u00e9 muito dif\u00edcil consumir frutas e hortali\u00e7as, que pesam muito no bolso da popula\u00e7\u00e3o\u201d, conclui Tha\u00eds Caldeira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tese<\/strong>:&nbsp;<em>Custo de dietas saud\u00e1veis e sustent\u00e1veis no Brasil<br><\/em><strong>Autora<\/strong>:&nbsp;Tha\u00eds Cristina Marquezine Caldeira<br><strong>Orientadora<\/strong>:&nbsp;Rafael Moreira Claro<br><strong>Programa<\/strong>: P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade P\u00fablica<br><strong>Defesa<\/strong>: 23 de janeiro de 2025<\/p>\n","protected":false},"featured_media":6548,"template":"","class_list":["post-6547","news","type-news","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news\/6547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/news"}],"about":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/news"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6548"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/150.164.63.212:9000\/portal-novo-test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}